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quarta-feira, 23 de março de 2011

PARA HISTORIADOR SÓ OS JAPONESES VÃO SE LEMBRAR DO TERREMOTO



Kesennuma, Japão, após o terremoto. Foto: Getty Images

Por mais chocantes que sejam as cenas de desastre e horror que vemos desde sexta-feira passada, o terremoto de 9 graus de magnitude que assolou o Japão não ficará muito tempo na memória das pessoas. É o que afirma o historiador britânico Edward Paice, autor do livro A Ira de Deus, sobre o terremoto que destruiu Lisboa em 1755.
Apesar do maremoto, do número de mortos que já passa dos 9 mil, da crise nuclear, dos prejuízos colossais ao país, Paice afirma que a humanidade tende a esquecer rapidamente grandes tragédias. Um exemplo, segundo o historiador, é a Caxemira, região entre Índia e Paquistão que sofreu um terremoto há menos de seis anos e teve cerca de 10 vezes mais mortos.
Em seu livro, Paice defende a ideia que o terremoto de Lisboa teve impactos diretos na sociedade ocidental. Teólogos e filósofos se viram confrontados com a brutal realidade de uma cidade próspera e opulenta reduzida a um cenário destruído por cinco grandes temores (o maior beirando os 9 graus de magnitude), um tsunami que sacudiu todo o Atlântico e um incêndio de uma semana que deixaram cerca de 40 mil mortos. Estava difícil acreditar em Deus. Era difícil enxergar o lado cheio do copo. Tanto que Voltaire se baseou no terremoto para atacar a filosofia hegemônica da época, chamada de otimismo. “Foi o prenúncio do Iluminismo”, afirma Paice.

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