Apodi RN

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terça-feira, 18 de outubro de 2016

PREFEITOS DE APODI NOMEADOS E ELEITOS DE 1833 A 2017

Resultado de imagem para prefeitura municipal de apodi rn
Palácio Francisco Pinto

01-Capitão João Nogueira de Lucena Silveira   18331890
02-Major José Sulpino Paes Botão                
03-Francisco Leonardo Freira da Silveira          15/09/1890
(1ª Eleição Republicana)
04-Coronel Antonio Ferreira Pinto                     1897a1909
05-Coronel João Jásimo de Oliveira Pinto          1909
06-Coronel João de Brito Ferreira Pinto             1911
07-Coronel Francisco Diógenes Paes Botão     1914
08-Eliseo Ferreira Pinto                                      1914
09-Francisco Ferreira Pinto                                1924
10-Francisco Ferreira Pinto                               1928
11-Francisco Ferreira Pinto                               01/01/1929
12-Cosme Lemos                                               09/10/1930
13-Tilon Gurgel                                                  30/10/1930
14-Tenente Solon Andrade de Araujo                 06/05/1931
15-Sebastião Sizenando de Sena e Silva            26/09/1932
16-Benedito Dantas Saldanha                             10/01/1933
17-Luis Ferreira Leite                                          24/07/1933
18-Tenente Abílio Campos                                  17/07/1934
19-Adrião Bezerra de Menezes                           12/11/1935
20-Lucas Pinto                                                    02/02/1936
21-Lucas Pinto                                                    01/08/1937
22-Lucas Pinto                                                    27/12/1937
23-Orígenes Monte                                             23/09/1940
24-Major Joaquim Teixeira de Moura                 25/03/1944
25-Luis Sulpino de Silveira junior                        27/05/1945
26-José Mozart Menescal                                   28/11/1945
27-Lucas Pinto                                                   19/03/1946
28-Francisco Holanda Cavalcante                      22/04/1948
29-José da Silveira Pinto                                     31/03/1953
30-João Pinto                                                     31/03/1958
31-Izauro Camilo de Oliveira                              31/03/1963
32-Valdemiro Pedro Viana                                 31/03/1969
33-Izauro Camilo de Oliveira                              21/01/1973
34-Valdemiro Pedro Viana                                 31/01/1977
35-Hélio Morais Marinho                                    31/01/1983
36-Ivo Freire de Araújo                                      21/03/1985
37-Simão Nogueira Neto                                    01/01/1989
38-José Pinheiro Bezerra                                    01/01/1993
39-Evandro Marinho de Paiva                             01/01/1997
40-José Pinheiro Bezerra                                    01/01/2001
41-José Pinheiro Bezerra                                    01/01/2005
42-Maria Gorete da Silveira Pinto                        01/01/2009
43-Flaviano Moreira Monteiro                                    01/01/2013
44-Alan Jeferson da Silveira Pinto                           * 01/01/2017

*Tomará posse
44-Alan Jefferson da Silveira Pinto                      01/01/2017

Museu do Índio Luiza Cantofa - 1º Museu Indígena do RN

Primeiro Museu Indígena do Rio Grande do Norte

Sobre o Museu do  Índio Luiza Cantofa

O Museu do Índio Luíza Cantofa  é o  Primeiro Museu Indígena do Estado do Rio Grande do Norte. Fica localizado na Rua Antonio Lopes Filho, nº 105, na cidade de Apodi/RN, na mesorregião Oeste Potiguar.

O Museu tem dentre os seus principais objetivos, resgatar a  cultura indígena de Apodi, abrigando  em seu acervo  peças e artefatos feitos pelos Tapuias Paiacus, primeiros habitantes das terras apodienses.

Atualmente, funciona provisoriamente na casa da pesquisadora apodiense Lucia Maria Tavares, que é a Presidente do Centro Histórico-Cultural Tapuias Paiacus da Lagoa do Apodi(CHCTPLA), entidade mantenedora do Museu Luíza Cantofa.  


"Somos os primeiros habitantes do Brasil, somos os primeiros do Rio Grande do Norte, somos os primeiros de Apodi e somos os senhores natos do continente da America". Lucia Maria Tavares - Presidente do CHCTPLA

O Museu é uma homenagem a apodiense Luiza Cantofa, guerreira indígena que foi brutalmente assassinada na cidade de Portalegre/RN, no dia 03 de novembro de 1825. 

Visite a página do Museu no facebook clicando aqui

Sobre a índia Luiza Cantofa

Foi uma guerreira indígena natural de Apodi/RN, pertencente à tribo dos índios Tapuias Paiacus.

A notícia da existência de Cantofa na serra de Portalegre se espalhou e o povo foi à procura de Cantofa. Debaixo de um frondoso cajueiro, dormia ela a sesta quando foi despertada pelo povo. Abrindo um pequeno oratório, ajoelhou-se aos pés do Cristo Crucificado e começou a rezar o ofício de Nossa Senhora. Jandy, banhada em lágrimas, pedia perdão ao povo, perdão para sua querida avó. Um dos algozes vendo o pranto de Jandy e as rezas da velha cabocla diminuíam a satisfação do seu extinto sanguinário, aproximou-se dela e quando a velha rezava a coluna: “Deus vos salves relógio, que andando atrasado serviu de sinal…”. Cravou o punhal no peito da anciã que caiu fulminada e levada em sangue. Jandy caiu desmaiada aos pés da sua avó. No dia seguinte, Cantofa foi sepultada no mesmo lugar onde foi assassinada. Jandy não mais foi encontrada e não se sabe o seu destino. 

Segundo a tradição popular, o local da morte de Luíza Cantofa corresponde àquele local onde hoje existe a chamada Fonte da Bica distante cerca de 400 metros do centro da cidade de Portalegre. Afirma a tradição popular que, durante muitos anos, o lugar do falecimento da velha Luíza Cantofa ficou mal-assombrado. Algumas pessoas que dali se aproximavam, ouviam claramente uma voz a rezar o Ofício de Nossa Senhora. 

Luiza Cantofa é patrona de uma pequena rua, localizada no Bairro IPE, bairro que dá acesso à entrada da cidade. 

Sobre o Centro Historico-Cultural Tapuias Paiacus da Lagoa do Apodi(CHCTPLA)

Seus principais objetivos são: 

- Resgatar e preservar a Cultura étnica indígena da Nação Tarairiú, especificamente, dos Tapuias Paiacus, considerando-os estes, um coexistente marco histórico na formação e fundação do município de Apodi – RN.
- Promover e apoiar ações que contribuam para o resgate, divulgação e valorização da arte e da Cultura indígena.
- Estimular a parceria, o diálogo local e solidariedade entre os diferentes segmentos sociais, participando junto a outras entidades de atividades que visem interesses comuns.
- Contribuir para a ampliação, difusão e disseminação do conhecimento sobre a história, Cultura e Arte indígena.
-Apoiar, bem como promover ações sustentáveis que contribuam para a preservação ambiental, de modo especial, da Lagoa do Apodi, tendo em vista, a sua contribuição histórica para o surgimento da cidade, uma vez que suas margens serviram de espaço para a realização de atividades como: plantação, pescaria, dentre outras pelos referidos nativos.

Para acessar a página do CHCTPLA, clique aqui

Abaixo algumas fotos do Museu: 

Centro Histórico-Cultural Tapuias Paiacus da Lagoa do Apodi e Museu do Índio Luiza Cantofa, ambos funcionam provisoriamente no mesmo espaço. 

CHCTPLA e Museu Luíza Cantofa
Museu do Índio Luiza Cantofa

 Interior do Museu 

 Peças indígenas

Artefatos e peças líticas

Para visitar o Museu do Índio Luíza Cantofa, agende a sua visita com a pesquisadora Lúcia Maria Tavares, através do seguinte número: 84 - 9 9914-2282 

Ver em: http://tudodorn.blogspot.com.br/2016/08/museu-do-indio-luiza-cantofa-1-museu.html

domingo, 9 de novembro de 2014

SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DA TOPONÍMIA RURAL APODIENSE - SÍTIO "SANTA ROSA".

       -Todos  os  renomados  historiadores  que  abordaram  a  temática  do  processo  de  ocupação  do  solo  da  região  Oeste-Potiguar,   foram  unânimes  em  afirmarem  que  este  se  dera   de   forma  lenta  e  gradual,  devido  a  tenaz  resistência   dos  núcleos  indígenas  que  infestavam  os  inóspitos  e   quase  indevassáveis   sertões.   A  metodologia  empregada  para  a   efetiva  utilização  das  vastas  extensões  de  terras  para  acomodação  dos  currais  de  gado  oriundos  da  região  pernambucana  do  Rio  de  São  Francisco   seguiu  dois  padrões :  A  COLONIZAÇÃO  DE EXPLORAÇÃO  e   a  COLONIZAÇÃO  DE  POVOAMENTO.
             Dentre  o  cabedal  de  arrojo  e  denodo   empregados  para  a   concretude  da  COLONIZAÇÃO  DA  EXPLORAÇÃO, há que  se  afirmar  que  o  mérito  atrela-se  ao  estoicismo  da   tradicional  família  NOGUEIRA  FERREIRA, oriunda  da  Paraíba, comandada  pelo  célebre  patriarca  MATHIAS  DE  FREITAS  NOGUEIRA (Paraibano)  e  esposa  Antonia   Nogueira  Ferreira (Pernambucana).   Acompanhados  dos  filhos  e  de  alguns  escravos,  protagonizaram  a  epopeia   da  primeira  corrente  colonizadora  encetada  ao  sertão  da  então  Pody,  em  Janeiro  de  1680.   O   profícuo  historiador  ROCHA  POMBO  foi  enfático  ao  afirmar  que  a  região  de  Apodi  constituiu  o  núcleo  irradiador  de  todo  o  processo  de  ocupação  e  povoamento   das  terras  que  hoje  representam  as  regiões  do  médio  e  alto  Oeste  potiguar.   Penetraram  o  Ceará  acompanhando  a  região  lindeira   que  compreende  o  alto  e  o  baixo  Jaguaribe, seguindo  vetusta  vereda  indígena  que  daria  origem  à   Estrada  Real  do  Jaguaribe,  que  é  a  atual  BR-116,  que  corta  todo  o   vale  jaguaribano.  Essa  dinâmica  família  colonizadora  adentrou  a  nossa  atual  CHAPADA  DO  APODI   subindo  as  escarpas  da  serra   no  lugar  denominado  de  "Olho  D'água  da  Bica",  no  atual  município  de  Tabuleiro  do  Norte-CE.  Naquele  remoto  ano  de  1680  ainda  era  muito  confuso  o  limite  entre  as  Capitanias  do  Rio  Grande  e   Siará  Grande (sic).  Daí  que  alguns  historiadores  cearenses, inadvertidamente,   incluíam  a  região  do  Apodi  como  parte  integrante  da   região  jaguaribana. 
 Do  ano  de  1940  pra  cá,  tem-se  as   áreas  territoriais  dos  municípios  de  Russas, Limoeiro do  Norte   e  Tabuleiro  do  Norte  como  integrantes  da   vasta  e  fértil  CHAPADA  DO APODI.
            Imagina-se  quão  árduo  e  afanoso  fora   esse  percurso  colonizador, atravessando  toda  a  vasta  extensão  da  então  "SERRA  PODY   DOS  ENCANTOS", conforme  consta  nas  petições  dos  que requeriam  as  concessões  das  famosas  e   disputadas   "Datas  de  Sesmarias", que  mediam  três  léguas  de  comprido  por  uma  de  largura.  Enfrentaram  a  ferocidade  dos  animais  silvestres  e  o  irrefreável  instinto  belicoso  dos  nossos  indígenas, que  em  verdade  estavam a defenderem  a  legitimidade  dos  seus  domínios  territoriais.  Pode-se  afirmar,  à  luz  de  documentos  oficiais  irrefutáveis,  que  o período  da  COLONIZAÇÃO  DE EXPLORAÇÃO   atinge  o  decurso  cronológico  compreendido  entre  os  ano  de  1680  a  1715,  quando  o  bravo  Entradista  Manoel   Nogueira  Ferreira  faleceu  em  sua  fazenda  "Outeiro",  próximo  a  então  lagoa  do  índigo  guerreiro  Itaú,  no  dia  17  de  Janeiro  de  1715, contando a  idade  de  60  anos,  após  plantar  os   primeiros  marcos  da  civilização  em  solo  apodiense.   Antigos   apodienses  afirmavam  que  a  fazenda  "Outeiro"   situava-se  em  terras  onde  hoje  se  acha  encravada  a  fazenda  "Cruz  de Almas".
             Sucinta  análise  das  relações  estabelecidas  entre  Entradistas, missionários  e  indígenas  revelam  que  a   COLONIZAÇÃO  DE  POVOAMENTO   da  região  da  antiga  Ribeira  do  Apodi  atingiu  uma  fase  em que  houve  considerável  avanço  da   ocupação  do  solo,  quando  fazendeiros  pernambucanos  do  Rio  de  São  Francisco  adentraram  o sertão  apodiense  tangendo  seus  numerosos  rebanhos  de  gado,  para  instalarem seus  currais  nas  férteis  terras  que  compreendem  o  atual  "Vale  do  Apodi",  semi-desertas  pela  devastadora  ação  exterminadora  ao  gentio  indígena,  empreendida  pelo  famoso  "Terço  dos  Paulistas", comandado  pelo  famanaz  bandeirante  paulista  MORAIS  NAVARRO,  que  fora  precedido  pelo  não  menos  célebre  bandeirante  paulista  Domingos  Jorge  Velho,  o  famoso  "Calção  de  Couro".  Essas  incursões  belicosas  tinha  como   objetivo  único  a  fixação  de  famílias  portuguesas  nesses   rincões  nordestinos.  Atinge  o  período   de  1715  a  1831,  quando  foram  cessadas  as  concessões  de  "Datas  de  Sesmarias".
            Observe-se que  todas  as  terras  que compreendem  o  atual  "Vale  do  Apodi"   constituíam  o vasto  feudo  territorial  da  família  NOGUEIRA,  englobando  oito  "Datas  de  Sesmarias",  cada  uma  medindo  três  léguas  de  comprido  por  uma  de  largura.  Nesse  contexto,  englobam-  a  "Data  de  Santa  Rosa",  que  até  o  ano  de  1783  integrava  e  recebia  a  denominação  de    "Data  da    Alagoa  Pody",  que  desde  o  ano  de  1680  pertencia  ao  bravo  Manoel  Nogueira  Ferreira, segundo  irrefutável  manuscrito  do  abnegado  historiador  NONATO MOTA.  As  terras  da  "Data  da  Lagoa  Pody"  compreendia  uma  parte  de  terras  conhecidas  como  "lagoa  do  braço  do  cajueiro",  que  se  estendia  do  lado  sul  da  lagoa  Pody   até  as  terras  da   fazenda  que  viria  a  ser  denominada  de  "Santa  Rosa".
              Por  morte  de  Manoel  Nogueira  em  1715,  estas  terras  foram  herdadas  por  sua  filha  Margarida  de Freitas  Nogueira  e   pela  irmã  de  Manoel , de  nome  Antonia  de  Freitas  Nogueira,(1652-1772),     que  fora  fundadora  do  Apodi.  Em  1750  Antonia  de  Freitas  Nogueira   estava  senil,  contando  a  avançada  idade  de  102  anos,  sendo  os  seus  bens  administrados  por  seu  cunhado o  Capitão  Carlos  Vidal  Borromeu, que  era  português.  Em  1755, a  requerimento  do  Capitão  Francisco  Nogueira, sobrinho  de  Antonia  de  Freitas,  estas  terras  foram  levadas  à  leilão  em hasta  pública  realizada  em  "Afogados  do  Recife"  para  o pagamento  de  400  mil  réis  que  Antonia  e  Margarida  deviam  aos  ROCHA  PITA (Sesmeiros  baianos).  A  "Data"  foi  arrematada  por  Cristóvão  da  Rocha  Pita  por  700  mil  réis  e  este  vendeu  a  metade  a  seu  irmão   Francisco  da  Rocha  Pita.  Por  falecimento  deste,  ditas  terras  foram  arrematadas  por  seu  filho  Thomé  Lançareto   Pereira  Pita.

                    HISTÓRIA  DO  REFERENCIAL  TOPONÍMICO   "SANTA  ROSA".
Ponte sobre o rio Apodi no Sitio Santa Rosa

            Estas  férteis  terras  só  passaram  a   receberem  a  denominação  de  "DATA  DE  SANTA  ROSA"  a  partir  do  dia  23  de  Março  de  1783,  quando  o  rico  fazendeiro  João  Pereira  da  Costa (1º  deste  nome  e pai  do  2º)  comprou  ditas  terras  ao  Sr.  José  Ramalho  do  Espírito  Santo  por  400   mil  réis,  que  por  sua  vez  as  havia  comprado  pela  mesma  quantia  a  Thomé  Pita  em  22  de  Julho  de  1782.
             A  denominação   toponímica  foi   feita  em  homenagem  à   destemida  matriarca  ROSA  MARIA  DO  E. SANTO,  filha  do  português  Manoel   Raposo  da  Câmara  e  Antonia  da  Silva.   Rosa  casou  com  o  rico  criador  de  gado  CAETANO  GOMES  DE  OLIVEIRA,  e  foram pais  de   ANA  ROSA,  que  veio   a  casar  com  FRANCISCO  XAVIER  DA  COSTA, que  era  filho  de  João  Pereira  da  Costa   e  Francisca  dos  Santos  de  Azevedo.   Esta  matriarca  faleceu  em  sua fazenda  "Santa  Rosa"  a    01.06.1840,  tendo  seu  esposo  falecido  a  26.04.1839.   São  tronco  inicial  da  vasta  e  tradicional  família  CAETANO,  disseminada  em  todo  o  município  de Apodi.  Um fato interessante  reside  no  fato  de  que  o  nosso  ilustre  historiador  Coriolano (Manoel  Antonio  de  Oliveira  Coriolano)  era  neto  materno  deste  venturoso  casal.   Mundico  Jararaca  era  neto  do  historiador  Coriolano.   As  irmãs  (Professoras)  dona  Biluquinha  e  Sinhazinha  de  Sebastião  Paulo  eram  trinetas   do  casal  CAETANO  GOMES/  ROSA  MARIA.

 Por  Marcos  Pinto. (07.11.2014).

domingo, 13 de outubro de 2013

UM MENINO TRAQUINAS DO APODI.

Marcos aos 08 anos, e o irmão Marcondes(já falecido)
 com seu pai na lagoa do Apodi
       Para  que  inventei  de   mexer  e  remexer  o  baú  de  minhas  saudades ?.  Não  mais que de repente  me  ví  menino   traquino, que  é  o  referencial  nordestinês  para  se definir  menino  danado, impulsivo, assassino  libidinoso  de  galinhas  cevadas.  Me  ví  menino  bocó  diante  a  beleza  da  primeira  professorinha, de  face  rosada  por acentuada  camada  de  "Rouge", espalhando  o  seu  cheiro  característico.  
           A  pequenina  cidade  acordava  sob  o  auspicioso  som  da  banda  de  música  municipal,  irradiando  emoções  em  seus  dobrados  executados  no  patamar  da  Igreja-Matriz  de  São  João  Batista  e  Nossa  Sra. da  Conceição, lugar  preferido  para  onde  me  dirigia  aos  primeiros  albores  de  radiantes  manhãs.  Deitava-me  na  calçada  e  ficava  olhando  para  o  alto, em  êxtases  oníricos. O menino  fixava  em  perene  olhar    o  vôo  das  andorinhas, que  enfeitava  os  meus  sonhos  em  seus  vôos  rasantes, rabiscando no  azul   do  céu  uma  perfeita  e  exímia  sincronia  entre  nuvens  superpostas, enviando-me  recados  fantásticos  dos  mistérios  circundantes.  Impregnavam-se em  minha  alma  infantil  um  colorido  perfeito  de  projetos  inebriantes.
         Na  estação  invernosa  o  menino  sonhador  assenhoreava-se  das  biqueiras  da  venerada  Igreja-Matriz, que eram as  melhores  goteiras  da  cidade, por onde escoavam  abundantes  jorros  d'água,  que  no princípio da  chuva   doíam no  cocoruto, mas  que   à  medida  que  aumentava  seu  volume  diminuía  o  impacto  na  pequena  cabeleira, cortada no  estilo militar.
        Como  encantavam-me  os  claros  matinais, em seus  primeiros  albores !.  Na  mente  do  menino  existia  um  mundo  que terminava  logo  após  a  lagoa, entre  os  verdes  carnaubais  dos sítios  "Garapa"  e  "Vertentes".  Minha  alma  translúcida   deslizava  mansamente  sobre  o  límpido  espelho  d'água  da  Mãe-Lagoa, ornada  pelo  verde  exuberante  de  suas  margens.  E  os  sonhos  do  menino  pegavam  carona  nas  canoas  dos  pescadores, acompanhando  o  risco  n'água  deixado  pelo  trajeto  das  humildes  embarcações  sertanejas.  
        As  famosas  conversas  noturnas  alinhavadas  na  calçada  da  casa  de  Sêo  Lulu  Curinga  abordavam  histórias  malassombradas,  que  causavam  frio  na  coluna  e  arrepios  no  curioso  infante.  O  silente menino  absorvia  os  lances  interessantes  das  histórias  de  Trancoso  e  de  Camões, que  em  meu  dialeto-matuto  pronunciava  "Camonge".  Ví, muitas  vezes  a  PROCISSÃO DAS  ALMAS, nas  madrugadas  em que o meu  saudoso  pai  me  despertava  e me  levava  para  o  antigo prédio onde  funcionava  a  Agência  de  Rendas  Fiscais  do  Estado, alí  na  esquina onde  hoje  está  construído  o "Castelinho", do primo  Castelo  Torres. Eu via,  ao  longe, alí  pela  rua  Margarida  de  Freitas, imediações da  casa de  Celeste  Marinho, as  supostas  almas  passarem  com  algo aceso  nas  mãos, que  meu  pai  me  fazia  acreditar  serem  ossos  das  pernas  acesos  e  carregados  em  procissão  pelas  almas.  Depois  que  crescí  e  me  fiz  de  gente  descobrí  que  se  tratavam  dos  machantes (Magarefes)  Ussí de  Sêo  João  Tito, seu  irmão  Damião   e  mais  uns  dois  outros, que  se  dirigiam  à  matança (Matadouro  público) para  abaterem  seus  caprinos  e  suínos, para  posterior venda  no açougue  público.
        Ouço, nos  confins  da  esquina  do  tempo  que  lá se  vai, os  dobres  soturnos  dos  venerandos  e  vetustos  sinos  da  nossa  amada  Igreja-Matriz, quebrando  o  imenso  silêncio  da  cidadezinha  ainda  adormecida, na  cadência  monótona  daquelas  escalas, onde  o  tempo  era  um  denominador-comum, distribuído  aos  pedaços, marcando  a  marcha  do  tempo e  do  ciclo  vicioso  da  vida.  Aquele  menino  tinha  a  mente  pautada  pelos  mistérios   dos  sonhos, vivendo o  cotidiano das  mesmas  imagens e dos mesmos  sons, sem fazer  nada, num  viver  apático,preguiçoso  e  inútil.  Eu, um  menino  sambudo, magro  feito  sibito baleado, afeito  às  repetitivas  brincadeiras  e  banhos  fortuitos  e  rápidos  de  menino  fugitivo do  olhar  fiscalizador do   pai.  Era um  viver  nostálgico  sem fim, de  brincadeiras  de  pião, gaiatices, travessuras  e  fuxicos.  Viver  ao  meu  modo  era  e  sempre  será  a  minha  filosofia.  E  assim  vou  remexendo os  meus arquivos  memoriais  sempre  bolorentos pelo mofo  das  horas  do  quase  esquecimento. SAUDADES...

    Apodi  de  São  João  Batista  e  Nossa  Sra. da  Conceição, aos  09 dias  do  mês  de  Outubro  do  ano  de  Jesus  Cristo  de  Dois  mil  e  treze.

      Marcos  Pinto  -  Comboieiro  da  saudade.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

ÍNDIOS DA RIBEIRA DO APODI SOB A ÓTICA DO HISTORIADOR NONATO MOTA.

           
NONATO MOTA
              A  historiografia  indígena  potiguar   reserva  expressiva  participação  do  profícuo  historiador  conterrâneo  NONATO  MOTA,  o  que  nos  faz  ufanar  o  peito  e  nos  sentirmos  regozijados  em sermos  Apodienses.  O seu relato  histórico  nos  insere  numa  compreensão  compartilhada  e  numa   leitura  temporal  do  passado  constitutivo  de  nossa  vasta     cultura histórica.   Como  o  nobre  historiador  conterrâneo  não  dispunha  de  recursos  econômicos  suficientes  para     publicação de  seu  vasto  acervo  pesquisado, encaminhava  seus  apontamentos  extraídos  de  documentos  oficiais   para  publicação em  jornais  da  cidade  de  Mossoró, dentre  eles  o  "COMMÉRCIO DE  MOSSORÓ",  em  sua  edição  de  12.07.1914   com  o tópico  "NOTAS  HISTÓRICAS", nas  quais  traça  perfís  dos  indígenas  que  dominavam  a  Ribeira  do  Apodi.  A  lagoa  Itaú  é  a  nossa  atual  lagoa.  A  nação era  Tapuias  e  as  etnias  eram  Paiacus, Payins, Janduís/Janduins, Icós, Icosinhos, Caborés   e  Pegas. Vejamos:
         " OS   PAIACUS  -   Esta  poderosa  tribo de  Tapuias  cor  de  chumbo  habitava  nas  margens    do    rio  Podi e    Lagoa  Itaú,  onde  tinham  as  suas  aldeias.  Em  1682  quando  Manoel  Nogueira  fundou  o  Apodi  era  chefe  dos  Paiacus  o  indômito  guerreiro  Itaú.  Apesar  da  resistência  de  Manoel  Nogueira, os  Paiacus  foram senhores  da  Lagoa  Itaú.
           OS   PAYINS   -     Esta  tribo  de  Tapuias  habitava  na  lagoa  do  "Apanha-Peixe"   e  nas  margens  de  um braço  de  rio  que  mais  tarde  teve  o  nome  de  Rio  Umari.   Gonçalo  Pires  de  Gusmão, sócio  de Manoel  Nogueira, não  podendo  situar-se  na  lagoa  do  "Apanha-Peixe"  por  causa  dos  Payins  vendeu a  "Data  do  Apanha-Peixe"  a   Mathis  Nogueira, pai de  Manoel,  e  retirou-se  para  o  Jaguaribe.   Esses  Payins  aliaram-se  aos  Paiacus  e  deram  combate  aos  Nogueira na  célebre  batalha  de  09 de  Agosto de  1688, onde  tombaram  mortos  os  bravos  João  Nogueira  e  Balthazar  Nogueira.
           Queixando-se  os  Nogueiras  ao  Governo    mandou  o  Capitão-Mór  da  Capitania  do  Rio  Grande  o   Paschoal  Gonçalves  de Carvalho, no ano  de  1688,  o  Ouvidor  Marinho  retirar  os  Payins  e seus  agregados  Caborés  e  Icosinhos,
 do  Apanha-Peixe  para  a  lagoa  Itaú, onde  vilou-os  com  os  Paiacus.  Os  Payins, Paiacus, Caborés  e  Icosinhos  foram  depois  vilados, a  08  de  Dezembro  de  1762  pelo  Dr.  Caldeira  na  serra  de  Portalegre.
           Em   1825  tendo  eles  por  Chefe  o  Cacique  João  do  Pega  revoltaram-se  contra  as  autoridades  da  Vila  de  Portalegre, havendo  combate  entre  os  moradores  da  mesma  Vila  e  os  índios.  Neste  embate  foi  morto  à  flechadas o  Capitão  Bento  José  de  Bessa.
           Presos  os  revoltosos  foram estes  fuzilados  no  sopé  da  serra  de  Portalegre  a  03  de  Novembro  de  1825, tendo  escapado  milagrosamente  o  cabecilha   João  do  Pega, cujo  crime  foi  perdoado  pelo  governo, e  o  resto  dos  índios  internou-se  para  o  centro  do  Cariri,  não  voltando  mais.
              OS  PEGAS   -    Estes  selvagens  habitavam  nas  margens  dos  rios  Mossoró  e  Upanema, estendendo-se  para  as  serras  do  João  do  Vale  e  do  Patu.  Em  1686  o  Capitão-Mór  Paschoal  Gonçalves  de  Carvalho mandou  o  bravo  Capitão  Manoel  de  Abreu  Soares  com  120  homens  de  ordenanças  e  índios  do  Camarão  para  na  Ribeira  do  Assu  fazer   guerra  aos  Tapuias   Janduins.  A  07  de  Maio  de  1687  Abreu  Soares  levantou  um  Arraial   no  sítio  "Olho  D'água", levantando  outro  sítio  por  nome  Santa  Margarida  no  dia  20  do  mesmo  mês (Hoje  cidade do  assu) onde  demorou-se  alguns  dias, e  depois seguiu  em  perseguição  aos  mesmos  índios  até as cordilheiras  das  serras  de  Leandro  Saraiva , hoje  conhecidas  com  os  nomes  de  serra  de  João  do Vale  e   Patu.
              Em  1740  os portugueses  Carlos  Vidal  Borromeu  e Clemente  Gomes  de  Amorim  auxiliados  pelos  Paiacus  expulsaram  os  Pegas  da  serra  de  Portalegre, indo  eles  habitar  na  serra  de  João do  Vale.
              A  19  de Novembro  de  1761  o  Coronel  João  do  Vale  Bezerra, fazendeiro  no  Upanema (Campo Grande) arrematou  a  serra, que  depois  passou  a  serra de  João  do  Vale, por   420$000 (Quatrocentos  e  vinte  mil  réis). Neste  mesmo  ano  o  Dr. Miguel  Carlos  Caldeira  de  Pina  Castelo  Branco  retirou  os  Pegas  para  São  José  de  Mipibu  onde  vilou-os.
               OS  CABORÉS  E  OS   ICOSINHOS:
         Estes  selvagens  eram  tribo  de  índios  errantes.  O  Ouvidor  Marinho  vilou-os  com os  Payins  na  lagoa  do  Apodi  no  ano  de  1688.

Por Marcos Pinto.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

CANGAÇO NO RIO GRANDE DO NORTE - A HISTÓRIA QUE NÃO FOI CONTADA (II).

        Quando   um  dia  se  fizer  um acurado  levantamento  de  fatos  considerados  históricos, atinentes  à  investida  de  Lampião    e  seu  bando  ao  Rio  Grande  do  Norte, restará  provado  e  comprovado  que  muitas  pessoas  que  viveram   a  contemporaneidade  desses  fatos, incorreram  em  voluntariosa  omissão, negando-se  a  darem  seus  depoimentos  a  pesquisadores/historiadores, cujos  depoimentos  seriam   de  suma  importância  para  o  cotejo  das  provas.  Esquivaram-se   sob  a  pusilânime  assertiva  de  que  omitiam-se  "por  medida  de  cautela, ocultando  evidências  que, segundo suas  pérfidas  óticas, seria  natural  em  quem  revolve  acontecimentos  de  ontem,  com  perspectivas  hodiernas  de  trazer   à  tona  fatos  adrede  combinados   para   serem  "guardados  à   sete  chaves", como  se  diz  no  sertão.
         A  partir  do  ano  de  1915   foi  instalado  o  clima  de  terror  no  município  de  Apodi,  quando  aportaram  em  Apodi  os  truculentos   Srs.  Martiniano  de  Queiroz  Porto, oriundo  da  serra  do  Pereiro, no  Ceará,  e  Juvêncio  Augusto  Barrêto, ambos  trazendo  seus  jagunços, geralmente  composto  por   celerados  fugitivos  da  Justiça.  Martiniano   fixou  residência  na  cidade, onde  comprou  um  prédio  residencial  assobradado, onde  escondia  seus  capangas.  Juvêncio  oriundo  da  cidade  de  Martins,  onde  renunciara  ao  cargo  de  Vereador, tendo  se  instalado  em  uma   fazenda  que  comprara e que  era  denominada  de  "Unha de  Gato",  onde  transformou  em  coito  para  vários  cangaceiros,  destacando-se  Massilon  Leite  e  Júlio  Porto,  então  adolescente  criado  por  Martiniano  Porto.  O  nome  civil  de  Júlio  era  Júlio  Santana  de Melo, tendo  adotado  o  sobrenome  Porto  em  homenagem  à  Martiniano  Queiroz  Porto.  A  vinda  desses  dois  virulentos  senhores  para  o  Apodi  deu-se  em  atendimento  ao  convite  feito  por  Felipe  Guerra  e  seu  cunhado  Tilon  Gurgel, para  cerrarem  acirrada  oposição  política  ao  Coronel  João  Jázimo  Pinto.
TILON GURGEL
        Um fato  que  corrobora  o  gênio  irascível   e  virulento   do  Sr. Felipe  Guerra  atrela-se  à  minudência  de  que,  em  toda  sua  trajetória  de  Juiz  de  Direito  e  de  Desembargador  passou  mais  tempo  em  disponibilidade  do  que  mesmo  no  exercício  da  função  judicante.   Formou-se  uma  trinca sinistra  no  judiciário  estadual, com  atuação  na região  Oeste  do   estado,  composta  pelos  truculentos  Juízes   de  Direito  Horácio  Barrêto,(Sobrinho de  Juvêncio  Barreto)  que  ocupou  a  comarca  de  Pau  dos  Ferros, no  período  1901-1915, onde  casou  com  uma  moça  da  família  Diógenes, Felipe  Guerra,
José  Fernandes  Vieira (genro de  Martiniano  Porto) e  João  Francisco  Dantas  Sales.  Os  ânimos  desse  conluio  de  Magistrados  foram  acirrados  com  a  investidura  de  Ferreira  Chaves  no  governo  estadual  para  o  período  1914-1919, sendo  certo  que  em  1919  Ferreira  Chaves  promoveu  para  Desembargadores  os  magistrados  Horácio  Barreto, sobrinho de  sua  esposa  Alexandrina  Barreto, e  Felipe  Guerra, que  por  sua  vez  convidou  o  seu  amigo  íntimo  o  Juiz  de  Direito  João  Francisco  Dantas  Sales  para  ocupar  a  Comarca  do  Apodi,  consumando  um  plano  adrede  traçado  para  que  este  Juiz   perseguisse  a  harmoniosa  e  pacífica  hoste  política  da  tradicional  família  PINTO, comandada  pelos  Coronéis  João  Jázimo  Pinto  e  seu  genro  Coronel   Francisco  Pinto.  Felipe  Guerra  era  casado  com  uma  irmã do  não  menos  truculento  Tilon  Gurgel.  
FELIPE GUERRA
          O  período  da  titularidade   do  Juiz  João  Francisco  Dantas  Sales (1922-1925)  transformou  a região  do  Apodi  em palco  de  toda  sorte  de  atentados  à  integridade  física  e  à  propriedade  privada.  Esse  magistrado   transformou  sua residência  em  coito  para  os  celerados  Benedito  Saldanha e seu  irmão  Quinca  Saldanha,  famosos  chefe  de  grupo de  cangaceiros   instalados  em  Caraúbas,  em  sua  fazenda  denominada  de  "Setúbal".  O  douto  Juiz  chegou  ao   disparate  de  acoitar   em  sua  residência  a  um  arruaceiro  de  nome  Manoel  Elias  de Lima, que  acabara  de  praticar  uma  tentativa  de  homicídio  dentro  do  mercado  público  de  Apodi, quando  alvejara  com   um  tiro  de revólver  o  cidadão  Vicente  Gomes  de  Oliveira.   Observava-se  às  escâncaras  o  conúbio  criminoso-protetivo  existente   entre  o  Juiz  João  Dantas  Sales  e  os  Chefes  de  cangaceiros  Décio  Holanda/Tilon  Gurgel,  Martiniano  Porto/Juvêncio  Barrêto,  Benedito  Saldanha/Quinca  Saldanha.
         Há  um  fato  emblemático  contido  no   Processo-Crime   de  Nº  486/1925,(Comarca de  Apodi)  em  que  aparece  como  indiciado  o  celerado  Décio  Holanda , cujo  nome  civil  era  Décio  Sebastião  de  Albuquerque, e que   representa  um  liame  com  o  ataque  de  Lampião  e  seu  grupo  à  Mossoró.  Trata-se  do  depoimento  do  respeitável  cidadão  Vicente  Gomes  de  Oliveira, prestado  a  03.05.1925,  que  dentre  outras  arguições,  afirmou:  " Que  é  público  e  notório   nesta  cidade  do  Apodi,  que  Décio  Sebastião  de  Albuquerque  comprou   em  Mossoró  dois mil  cartuchos  com balas  para  rifle  e  que   estão  depositadas  em  sua  propriedade  "Pedra  das  Abelhas"  neste  município.  Na  época  correram  rumores  que  a  compra  do  arsenal  bélico  feita  pelo  Décio  fora  intermediado  por  Felipe Guerra  e  Jerônimo  Rosado.  Que  Décio  tem  em  sua  casa  de   residência, na  residência  de  seu  sogro  Tilon  Gurgel  e  na  casa  de  Belarmino  de  Tal, tudo  na  mesma  propriedade "Pedra  das  Abelhas"  e  em  sua  outra  propriedade  denominada  "Pacó" grande quantidade  de  armamentos e  mais   munições  para  o  fim  de  atacar  com  cangaceiros  os  habitantes  desta  cidade  amigos  políticos  do  Coronel  João  Jázimo, ao  própiro  Cel.  João  Jázimo, atacando  simultaneamente  a  força  pública  mandada  pelo  governador  do  estado  para  manter  a  ordem  nesta  cidade".
CANGACEIROS FAZEM POSE PARA FOTOGRAFIA
       Como  o  Juiz  João  Dantas  Sales  soube  no  mesmo  dia  03  de  Maio  que  o  então  Delegado  Especial  Capitão  Jacinto  Tavares  Ferreira  ouvira  em  depoimento  o  Sr. Vicente  Gomes  de  Oliveira, e que  nesse  mesmo  dia  o dito Delegado  mandara  lavrar  Auto  de  Busca  e  Apreensão  a  ser  cumprida  por  um  efetivo  policial  composto  por  40  praças  e  um  Sargento  no  dia  seguinte , enviou  mensageiro  especial  para  a  fazenda  "Pedra  das  Abelhas"  avisar  aos  bandoleiros  Décio  Holanda  e  Tilon  Gurgel, que  neste mesmo  dia  enviaram  o  arsenal  em  comboio  animal  para  a  fazenda  dos  celerados  Benedito  e  Quinca  Saldanha, em  Caraúbas.  O  certo  é  que, efetivamente  a  04  de  Maio  de  1925  a  tropa  policial  dirigiu-se  para  "Pedra  das  Abelhas", onde  no  lugar  conhecido  como  "Saco  do  barro"  houve  o  confronto  entre  a  jagunçada  de  Décio  Holanda/Tilon  Gurgel, evento  que   inserí  nos  anais  históricos  como  tendo  sido  O  FOGO DE  PEDRA  DE  ABELHAS, cujo  relato  foi  objeto  de  artigo  publicado  em  plaquete,  pela  Coleção  Mossoroense,  e  no  Blog  "Honoriodemedeiros.blogspot.com".
        A   fidagal  amizade  existente  entre  Felipe  Guerra  e  Jerônimo  Rosado  remonta  ainda  ao  ano  de  1907, quando  cerraram  fileiras   em  Mossoró  com  o  Coronel  Vicente  Sabóia  de  Albuquerque (parente  de  Décio)  na  luta  pela  implantação  do ramal  ferroviário  Porto  Franco -  Mossoró.  Em Setembro  de  1926  o  então  Desembargador  Felipe  Guerra  foi  posto  em  disponibilidade, quando  então  retornou  à  Mossoró  para  assessorar  o  amigo  Jerônimo  Rosado. Nasceu  aí  o  complô  para  a  vinda  de  Lampião  à  Mossoró,  com  o  fito  único  de  eliminar  o  Prefeito  Rodolfo  Fernandes  e  proporcionar  a  volta  do  Jerônimo  Rosado  ao  poder  municipal.   Jerônimo  Rosado  havia  sido  Presidente  da  Intendência  Municipal  de  Mossoró (cargo  que  em  Agosto de  1926   passou  a  ser  denominado  de  
Prefeito) , tendo  como  Vice-Presidente (Vice-Prefeito)  o  Dr.  Antonio  Soares  Júnior, médico  e  genro  de  Felipe  Guerra.
          Lembro-me  que  o  meu  avô  paterno  Aristides  Ferreira  Pinto,(1907-1975) que  era  irmão  legítimo  do  Coronel  Francisco  Pinto,(1895-1934) contou-me  pormenores  da  carta  enviada  pelo  irmão  ao  seu  parente  Rodolfo  Fernandes, informando, dentre  outros  detalhes,  que  soubera  por  fonte  fidedigna, de  que  o  arsenal  comprado  por  Décio  Holanda  em  Mossoró  no  ano  de  1925, fora  transferido  em comboio  animal  noturno, da  fazenda  dos  Saldanha  em  Caraúbas, para  a  fazenda  "Bálsamo", de  Décio  Holanda,  encravada  na  serra  do  Pereiro,  no  Ceará.  Nos  depoimentos  dados  em  Pau  dos  Ferros  pelos  cangaceiros  MORMAÇO  E  BRONZEADO  foram  unânimes  em  afirmarem  que  Lampião  passou  mais  de um  mês  acoitado  com  o  seu  bando  entre  as fazendas  de  Décio  Holanda  e  seu  primo  Zé Cardoso, preparando-se  para  o  ataque  à  Mossoró, e  que Lampião  recebera  de  Décio  e  Zé  Cardoso  dois  mil  cartuchos  com  balas  para  rifle.
          Em  uma  das edições  do Jornal  mossoroense  "Correio  do  Povo"  consta  um  comunicado  de  que  o  chefe de  cangaceiros  Benedito  Saldanha, dias  depois  do  ataque  de  Lampião  à  Mossoró, telegrafara  ao  então  Chefe  de  Polícia  do  estadual  Dr. Benício  Filho (Manuel  Benício  de  Melo  Filho)  informando  que  o cangaceiro  Coqueiro, que  fora  um  dos cangaceiros  que  atacara  Mossoró,   fora  morto  em  sua fazenda  "Várzea  Grande", proximidades  da 
cidade  de  Limoeiro  do  Norte, em confronto  com  a  policia  cearense.  Soube-se  depois  que  o  mesmo  fora  morto  por  cangaceiros  de  Benedito  Saldanha,  cumprindo  o  costumeiro  processo  de  "Queima de  Arquivo".   
         Para  maiores  esclarecimentos  acerca  do  ataque  lampionesco  à  Mossoró, sugiro  a  leitura  do  Blog  "honoriodemedeiros.blogspot.com   (No  ítem  CORONELISMO)  e  adquirir  por  compra  o  memorável  e  elucidativo  livro  "MASSILON"  , de  autoria  do  profícuo  e  renomado  historiador  do cangaço  Honório  Medeiros.

                              (Por  Marcos   Pinto).

CANGAÇO NO RIO GRANDE DO NORTE - A HISTÓRIA QUE NÃO FOI CONTADA (I).

 Em  um  dos  inúmeros  Seminários  promovidos  para  debater  a  história  do  cangaço, com  ênfase  para  seus  protagonistas,  ouvi ,  de renomados  estudiosos  desse  truculento  capítulo  da  historiografia  nordestina, que  ainda  há  muitos  episódios  e facetas  envoltos  em  abissal  mistério. Constata-se, à  exaustão, voluntariosas  e  inconsistentes  omissões  quanto  à  divulgação  em  livros  ou  em artigos  esparsos.  As  narrativas  equilibram-se   de  acordo  com  as
circunstâncias  e  tendências  em  conflito.  São  raros  os  historiadores/pesquisadores  que  evidenciam e deixam    uma lição  de  coragem  e  exemplo  de  independência, gestos  ratos  numa   época  de  subserviências  e  fraquezas  éticas. Foram/são  homens  de  diretrizes  certas  e  vontades  próprias, sob  a  tutela  das  quais  neutralizam os  velhos  vícios 
do  mandonismo  e  do  arbítrio.   Custeiam, com  recursos  próprios, as  suas  publicações  em  livros  e  opúsculos, para não  fazer  como tantos  que  se  atêm   com   deturpação  dos  fatos  e  distorção  da  história.  Já  é  perceptível  o  surgimento  de  um  segmento  entre  os  pesquisadores  sobre  o  cangaço, que  exorcizam  fatos  históricos  entregues ao  olvido.  À   esses, rendo  o  meu  preito  de  admiração  e  respeito,  inexpugnáveis.
       Os  capítulos  lacunosos  correm  num   estuário  de  espanto   e  de  mistérios.  Transbordam  pelas  barreiras    do  passado, para  espraiarem  na  planície  da  concretude  histórica.   No  desiderato  da  pesquisa  histórica, é  imprescindível  que  se   mantenha  uma  imparcialidade  quase   sobre-humana,  na  apreciação  dos  fatos  e  dos  homens.   Escoimando-se   os  fatos   deliberadamente   circunscritos  ao  olvido  e  a  um  silêncio  sepulcral.  Ainda  visualiza-se  a  predominância de  uma  perspectiva  de certo  modo  sombria  e preocupante  para  algumas  famílias  que  tiveram  alguns  dos   seus  membros  em  ativa  participação  no  processo  de  articulação  para  a  vinda de  Lampião  e  seu  bando  às  plagas  citadinas  da  região  Oeste  potiguar.  É  certo,  que  as  nuances  dos  ataques  banditícios   à  cidade  de  Apodi (10.05.1927)  e  à  Mossoró (13.06.1927)  reúnem  perspectivas  históricas  inéditas,  factuais  e  cronológicas, exaltadoras  de  minudências  que  configuram-se  em  instigante  libelo-crime  acusatório.  Isso, sem falar  em  provas  documentais  envolventes,  que  foram  deliberadamente  incinerados,  ou  perdidos  na  voragem  do  tempo.
CANGACEIROS DO BANDO DE ISAÍAS ARRUDA
      Observa-se,  em  pormenores, que  a  partir  do  ano  de  1919, final  do   incipiente  governo  de  Ferreira  Chaves (1914-1919)  instalou-se  um  clima  propício   à  criação  e  instalação  de   grupos  de  cangaceiros  na  região  Oeste  potiguar, processo  de  terror  que  contou  com  veemente  proteção  e  acumpliciamento de  algumas  figuras  carimbadas  do  judiciário  estadual.  Em  1919  o  então  governador  nomeou  Desembargador  os  Juízes de  Direito  Felipe  Guerra  e  Horácio  Barreto, este   sobrinho  de  dona  Alexandrina  Barreto, esposa  do  governador  Ferreira  Chaves.  Nesse  ano  instalou-se  no  então  sítio  BREJO  DO  APODI  o  grupo  de  cangaceiros  oriundos  da  serra  do  Pereiro, capitaneados  pelo  truculento  DÉCIO  SEBASTIÃO DE  ALBUQUERQUE, conhecido  popularmente  como  DÉCIO  HOLANDA, que  era  genro  do  não  menos  truculento  TILON  GURGEL.  Essa   Milícia  particular  passou  a  ter  integral   e  ostensivo  apoio  do  Desembargador  Felipe  Guerra,  que  era  casado  com  uma  irmã  de  Tilon  Gurgel.  Portanto, a  esposa  do  bandoleiro Décio Holanda (Chicuta) era  sobrinha  paterna  da  esposa  de  Felipe  Guerra.   No  ano  de  1915  aportaram  em  Apodi, para  fixarem   residência  e  à  convite  de  Tilon  Gurgel  e  Felipe  Guerra, os  virulentos  Juvêncio  Augusto  Barrêto, irmão da  esposa  do  governador  Ferreira  Chaves (D. Alexandrina  Barreto  Chaves)  e  Martiniano  de  Queiroz  Porto, com  fito  único  de  fazerem  acirrada  oposição  política  ao  Coronel  João  Jázimo  Pinto.   Juvêncio  Barreto  instalou-se  em  sua fazenda  "Unha de  Gato", onde   acoitou   jagunços  oriundos  do  Ceará, que  por  sua  vez  aliaram-se  ao  grupo  de  bandoleiros  comandados  por  Martiniano  de  Queiroz  Porto, oriundos  da  serra  do  Pereiro, no  Ceará.  Como  espécies  de  vasos  comunicantes,  esses  grupos  de  bandoleiros  aliam-se  ao   ignominioso  bando  de  cangaceiros  comandados  pelos  celerados  Benedito  Saldanha  e  seu  irmão  Quinca  Saldanha.  Surge  daí  o  consórcio  para   o  mal, composto  pelo  Juiz  de  Direito  José  Fernandes  Vieira, sogro de  Martiniano  Porto,  Desembargadores  Horácio  Barreto  e  Felipe  Guerra, com fito  único  de  acobertar  os  crimes  perpetrados  respectivamente  por  Juvêncio  Barreto (Tio  de  Horácio  Barreto)  Décio  Holanda  e  Tilon   Gurgel.
          No  contexto  do cangaceirismo,  destacaram-se  as  asquerosas  figuras  de  Júlio  Santana  de  Melo, que  por  ter  a  proteção  do  seu  mentor  Martiniano  Porto, com quem veio  para  o  Apodi,  passou  a ser  conhecido como  sendo  JÚLIO  PORTO, que  viria  a  constituir  amizade  com  o  bandido  Massilon  Benevides,  e  que  mais tarde  compuseram  o  nefando  bando de  Lampião, nos  célebres  ataques  às  cidade de  Apodi (10.05.1927)  e  Mossoró (13.06.1927). 
          Com  a junção  desses   04  grupos  de  jagunços/bandoleiros, capitaneados  respectivamente  por  Juvêncio  Barreto, Martiniano   Queiroz  Porto, Décio  Holanda/Tilon  Gurgel, e  Benedito  Saldanha  e  Quinca  Saldanha  instalou-se  um  cenário de  horror  e    provocações   ao   povo  de  Apodi.   Delineou-se, assim, um   truculento  cenário  banditício.  Esses  redutos de grupos  de  jagunços  colocou  os  seus  comandantes  em tal   situação  de  poderio, que   faziam  de  suas  prepotentes  vontades  a  LEI  DOS SERTÕES, e   que  para  exercê-la  não  hesitavam  em  cometerem  atos  violentos,  arbitrários  e  reprováveis.  Esses  grupos  viviam   a  depredar  e  perseguirem  a  população  apodiense, prontos  ao serviço, submissos  às  determinações  dos  despóticos  patronos.
          Em  1922  o ardiloso  Desembargador  FELIPE  GUERRA  traficou  influência    e indicou  o   seu  amigo  particular  JOÃO  DANTAS  SALES  para  assumir   como  Juiz  de  Direito  a   Comarca  de  Apodi,  tendo  como  objetivo  proteger  e  tutelar  os  desmandos e
atos  de   infração  à  lei  e  ataques  à  vida  e  a   propriedade.  Benedito  e  Quinca  Saldanha  eram  os  protetores  de  Massilon, que se  julgava  afilhado  de  Quinca  Saldanha.
MASSILON
           No   processo-crime  de  nº  486, instaurado  em   03.05.1925   consta  vários  depoimentos  de  respeitáveis cidadãos apodienses, dando  conta  de  que  o  então  Juiz   de  Direito  da   Comarca   João  Dantas  Sales  acolhia  e   hospedava, às  escâncaras,  em  sua  residência  em   Apodi, os  bandoleiros  Benedito  e  Quinca  Saldanha.  Era  a  trinca  sinistra  comandando   a
desordem  e  instalando   o  pânico.   A  pública  ligação  pessoal  e  política   do   Juiz  João  Dantas  Sales, que  ocupou  a  titularidade  da  comarca  de  Apodi  no   período  1922-1925,   com  Benedito  Saldanha/Quinca, Décio   Holanda/Tilon  Gurgel, Martiniano  Porto/Juvêncio  Barreto,  influenciou-o  para  alterar   a  exação  que  norteia  e  é  dever  do   Magistrado.   Adotou  ignóbil   proteção  e  parcialidade  quando  Benedito  Saldanha   foi  julgado  pelo  Tribunal  Popular  do  Júri  em  Apodi, por   ter  espancado   o  Sr.  Francisco  Noronha  e  uma  moça  de  nome  Maria  Lúcia,  filha   do  velho  Carneiro.   Contribuiu  para  a  absolvição  de  Décio  Holanda   quando   submetido  a  julgamento  no   Tribunal  Popular  do  Júri,  por  ter  atirado  e  ferido   gravemente  um  rapaz  de  nome  Tertulino   Canela.  O  cinismo  e  a  desfaçatez  de  Felipe  Guerra  estão   delineados  quando  afirmou   que  "No  RN  não  há  cangaceirismo",  em  seu  livro  intitulado  "AINDA  O   NORDESTE" -  Pág. 79 -  Tipografia  do  Jornal  "A  República"  -  Ano  1927.
                                                                (Por  Marcos  Pinto).

(OBS:  Continua  na  Parte  II).