Apodi RN

Loading...

domingo, 21 de agosto de 2011

SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA RELIGIOSA DE APODI - BIOGRAFIA DO PADRE PHILIPE BOUREL.(I).

    

No contexto do marco zero da  implantação  da  civilização no  terrítório  Apodiense, em especial  o  capitulo que trata  dos primeiros  mártires, que deixaram suas marcas existenciais de sangue,suor e lágrimas  no venerando e sagrado solo desse belo  rincão oestano-potiguar, sobressaem-se  as  expressivas  figuras  dos irmãos JOÃO  NOGUEIRA e  BALTHAZAR  NOGUEIRA,cruelmente trucidados pelos  índios  tapuais  paicus  a  golpes  de tacapes  e  bordunas, nas margens da lagoa do "Apanha-Peixes", fato  ocorrido no dia  09 de Agosto de  1688.  Na saga  dos martírios infligidos  pelas  doenças que infestavam  as  primitivas  matas  do sertão Apodiense, aparece a exponencial  figura  do  sacrossanto  padre  Jesuíta  PHILIPE  BOUREL, que, segundo alguns historiadores, teria  sucumbido  à  ação devastadora  da  febre amarela,  naqueles  remotos  dias  grassando  pela  densa  vegetação  nativa.  Segundo  relato  histórico existente no  volume  V  da  Coleção  "HISTÓRIA  DA  COMPANHIA DE  JESUS  NO  BRASIL" - Séculos  XVII e  XVIII,   de autoria  do  Pe. Jesuíta  SERAFIM  LEITE, o Padre  PHILIPE  BOUREL  faleceu no  lugar  denominado  de  "ALDEIA  DO  LAGO  PODY"  a  15 de Maio de 1709.
                 O  venerando  Padre  PHILIPE  BOUREL   nasceu  na cidade  denominada  "COLÔNIA", na  Alemanha, no  ano  de  1659. Entrou para  a  COMPANHIA DE  JESUS, cujos padres  e missionários  eram  conhecidos como JESUÍTAS, no  dia  19 de  Março de  1676, com  a tenra  idade  de  17  anos. Quando  aportou  no  Brasil, foi  trabalhar  nas  Missões  Jesuítas   do  lugar  conhecido  como  "RODELAS  DO  SÃO  FRANCISCO.  Seguindo  suas  memoráveis  e  cristãs  pegadas, encontramo-lo  situado  no  Assú-RN, onde  chegou  no  mês de Dezembro  de  1699, acompanhado  do  Padre JOÃO  GUINCEL, sendo  recebidos de forma  hospitaleira  e gentil  pelo  Mestre-de-Campo MANUEL  ÁLVARES DE  MORAIS  NAVARRO, comandante  do  famigerado  "Terço dos Paulistas", aquartelado  na  ribeira do Assú.  Aportara na  imberbe  Capitania  do  Rio  Grande  já  imbuído  de  catequizar  os  belicosos índios  Tapuias  Paiacus, da  nação  Tarairiu, vilados pelo Ouvidor  MARINHO  no  ano  de  1688, em  lugar  que  ficou  conhecido  como  "Córrego  da  Missão".  No Arquivo  Histórico Ultramarino,em Lisboa (Portugal)  existe, meticulosamente  guardada  na Caixa RN-1, 07/04/1700, uma  certidão  lavrada  pelo  próprio  padre PHILIPE  BOU-
REL, na sua Missão  do  Podi, de  cujo  documento existe  um Microfilme  na  Divisão  de  Pesquisa  Histórica  da  Universidade  Federal  de  Pernambuco. A  consa-
grada  e  celebrada  historiadora  FÁTIMA  MARTINS  LOPES  transcreveu, na  íntegra, dito  documento  histórico, inserido no livro  de  sua  autoria  intitulado  "ÍNDIOS, COLONOS  E  MISSIONÁRIOS  NA  COLONIZAÇÃO  DA  CAPITANIA  DO  RIO  GRANDE DO  NORTE- pág. 254 - COLEÇÃO  MOSSOROENSE - Série  C - volume  1379  - Outubro  de  2003. Vejamos:
       "Certifico  eu  o  Pe.  Philipe  Bourel, da  Companhia de Jesus  que  vindo  eu  no  mês de  Dezembro  dos  annos de  1699  do  Assu
para a  Missão do  Podi  da  nação  Payaku  pelo  grandíssimo  risco  que  avia, por ser  necessário  passar  pella  terra  dos  Maroduzes,
por  outro  nome  Jandoims  nação fera e  bárbara  que  não  somente  se  tinhão  gabado de  me  aver  de  matar  a  mim, mas   em 
efeito  depois  me  acometerão  na  minha  Missão  atirando  com  muitas  espingardas, matando  e  cativando  muita  gente  desta  
minha  Missão. Fuy  acompanhado  pelo  Capitão  Joseph  de  Moraes, o  qual  vindo  por cabo da mais  tropa  não  faltou  com  alguma 
de  sua  obrigação  provindo  os  postos, e  ordenando  sentinelas  com  muito  cuidado;  além  de que por espaço de  mês  e  meio  não
havendo  nestes  desertos  nem  moradores  nem  sustento  me  acudiu  com todo  o  necessário  buscando  o  com  grande  enfado   e
trabalho  pelos  matos; não  menos  acodindo  assim  por  suas  próprias  mãos, como  por  um  escravo  que  vinha a  sua  conta  a  le-
vantar  logo  casa  de  sobrado  para  minha  morada, e por iser  isto  assim  lhe  passei  esta  por mim  assinada  neste  Podi  nos  anos 
de  1700  aos  7  do  mês  de  Abril.
           Philippe  Bourel  da  Companhia
           de  jesus  missionário  da
           Igreja de  São  João  Batista  na  Aldea
           do  Podi.

         Imagine-se  a  precária  e  calamitosa  situação   vivida  pelo  Padre  PHILIPPE  BOUREL.  A  situação  de  conflito constante  entre 
Colonos, indígenas  e  Missionários  jesuítas  levou o  governo central  a  expedir  o  ALVARÁ  RÉGIO  DE  23  de  Novembro  de  1700,or-
denando  que  cada  Missão  recebesse  uma légua  de  terra  em quadra  para  o  sustento  dos  índios  e  Missionários residentes,libe-
rando  legalmente  o   restante da  terra  para  a  colonização  e  obtendo  a  garantia  do  suprimento de  mão-de-obra  aos colonos. Há que se observar  que  nessa  légua  em  quadra  o  Sargento-Mór  de  Entradas  MANOEL  NOGUEIRA  FERREIRA  invadiu, instalando  sua fazenda  num  alto  ou  colina  que  ele  denominou  de  "Outeiro", lugar  onde  nasceu  o  atual  "QUADRO  DA  RUA", enfrentando  resis-
tência  do  Padre  Philipe  Bourel, por  cujos  apelos  não  logrou  êxito, sendo  certo  que  já no  ano  seguinte  de 1701  Manoel  realiza-
va  trabalhos de  alinhamento  do  povoado,sofrendo  embargo  do  sesmeiro  Antonio da Rocha  Pita.  Nascia, assim, a  atual  cidade  de 
Apodi.
          Vejamos o que  diz  o  Padre  Jesuíta  MATEUS DE  MOURA, em  carta  enviada  aos  Superiores  da  Companhia de Jesus  no  Brasil, datada  de  31.12.1711, a  respeito da  atuação  do  colega  Pe. PHILIPPE  BOUREL:  "...O  Pe. PHILIPE  BOUREL  com o irmão estu-dante  BONIFÁCIO TEIXEIRA  catequizam  igualmente os não menos  bárbaros paiacus.  E como defende  dos inimigos por meio de solda-
dos  de   El-Rey, era  muito  amado  deles  e  viviam  em  comum  nas  aldeias, ainda  que  saíam  alguns  meses  durante  o ano  a  recolher frutos  do  mato.

Por Marcos Pinto.
Fonte da figura: internet.

Nenhum comentário: