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domingo, 24 de julho de 2011

SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DO SÍTIO "SOLEDADE". (IV)


Todo trabalho de cunho  histórico sobre  o desenvolvimento  econômico  e social  do sítio "SOLEDADE"  passa,necessariamente,pelos  perfís  genealógicos  das  famílias  BRUACA, TARGINO  e  TENÓRIO, com  reluzente  veemência. Entrelaçadas entre si  por indissolúveis  laços familiares, constituem  99%  da  população  daquele  rincão. Dentre a vastíssima família BRUACA, os que mais se destacaram  foram os Srs. Zé Bruaca, João Bruaca e Baiôto, cujo nome  civil  era ANTONIO MANOEL DA COSTA.  Baiôto casou  com  Maria dos Santos de Oliveira, cearense da cidade de Aracoiaba, de cujo matrimônio  nasceram os seguintes filhos: F.01- MANOEL DOS SANTOS DE OLIVEIRA (Manoel de Baiôto), que  casou com sua prima Maria Alice Torres dos Santos,filha de  Antonio Avelino da Costa e Cristina Targino da Costa; F.02- FRANCISCO DOS SANTOS DA COSTA (Chico de Baiôto),que casou com Maria  Dália da  Costa, irmã da esposa de seu irmão Manoel; F.03- JOÃO  DOS SANTOS DA COSTA (João de Baiôto), que casou com sua prima Neguinha Targino; F.04- LUÍS DOS SANTOS DA COSTA (Turica),casado com Maria Targino; F.05- PEDRO,que faleceu  solteiro; F.06- JOSÉ (Zé de Baiôto) que casou com Maria Targino da Costa;F.07- MARIA JOSÉ, casada com Manoel Antonio Targino; F.08- LUCIMAR, casada  com  Batista; F.09- ZIÁ, casada com  Alcides  Targino; F.10- MARIA DAS DORES,casada com Antonio. Como se vê, quase todos os filhos de Baiôto  casaram-se com  pessoas da família Targino, conservando assim  a tradição  dos avós e bisavós, que só  casavam  com primos, e em alguns casos, sobrinhos casando com tias, como é o caso do Sr. Odilon Targino, que era casado com uma  tia, conhecida como Preta. O velho Simão Bruaca, que tinha o nome civil  SIMÃO  NOGUEIRA DA SILVA, tinha  um  filho  com  o  mesmo  nome, que vem a ser o  pai de Dona Santoza,casada  com o Sr. Antonio do Casado (Por ter nascido no sítio "Casado"), cujo nome civil era  Antonio dos Reis Magos da Costa, que por sua  vez  são os pais do  ex-prefeito  Simão  Nogueira  Neto.
               A   brava e   prolífica  família  TARGINO  teve como patriarca  o  Sr. FRANCISCO  TARGINO DA COSTA, que  casou duas vezes: Em primeira  núpcias com BERNARDINA  RUFINA DA  CONCEIÇÃO, filha de João  Evangelista de Oliveira e de Rufina Maria da Conceição. Bernardina  faleceu  no  sítio "Soledade", de  asma, em  12 de Fevereiro de 1915, aos 53 anos de idade, deixando o viúvo e os seguintes filhos:F.01- FRANCISCO  TARGINO FILHO, que casou com sua parente Francisca Maria da Conceição,conhecida como Tachica, cearense de  Aracoiaba;F.02- EDUARDO TARGINO DE  OLIVEIRA, casado com Maria Benedita de Melo, pais de João de Eduardo e de Natim Targino;F.03- MARIA TARGINO DE OLIVEIRA (Nasceu em 1895), que veio  a casar com Francisco  Fernandes do Rêgo,conhecido como Chico Simão,filho de Simão Fernandes do Rêgo e Maria Pastora da Conceição. Simão era afrodescendente, posto que filho natural de Clara Maria da Conceição, escrava do Capitão Francisco das Chagas Cândido de Souza. F.04- JOÃO TARGINO DE OLIVEIRA,nascido em 1897, casou com Maria Gomes, da família dos Valdevino, e foram pais de Dozé, Preta - casada com  Odilon Targino, Nazaré casada com Miguel Preto, Tonha - casada com Mundinho Targino, Francisca -  casada com Chico Tenório, e Maria, casada com Chico Reinaldo do sítio "Boa Vista". F.05- FRANCISCA, nascida em 1901; F.06- JOSEPHA  TARGINO DE OLIVEIRA,nascida em 1900; F.07- ANTONIO  TARGINO DE OLIVEIRA, casado com Arcanja  Maria do Rosário,filha  natural de  Francisca  Lázara do Rosário.  Eduardo Targino ficou viúvo de Maria Benedita de Melo a 28 de Agosto de 1918, e casou mais duas vezes com  duas  irmãs: Maria Joana  e  Maria Arcanja. Como se vê, Eduardo e o irmão Antonio  Targino foram casados com  duas  irmãs,sendo certo que os filhos são primos carnais. 
                O patriarca  FRANCISCO TARGINO DE OLIVEIRA  casou  em segunda  núpcias  com  JOANA MARTINS, de cujo matrimônio nasceram os filhos: F.01- ANTONIA, casada com Francisco  Justino; F.02- ISAURA, casada com João Targino; F.03- JOÃO  MARTINS, casado com Francisca  Targino, filha de Antonio Targino; F.04- BADÚ, casado  com  Maroca, filha de Simão Nogueira e Maria Luíza. Maroca era irmã de Dona Santoza, mãe do ex-prefeito Simão Nogueira  Neto.  A sogra (duas vezes) do velho Eduardo Targino de Oliveira, a Sra. FRANCISCA  LÁZARA DO ROSÁRIO  era  filha João José do Rosário e de Quitéria Lázara  do Rosário, e faleceu  no sítio  "Soledade"  em  10 de Setembro de 1932, já viúva de Sebastião Costa, de quem não teve filhos. Teve três filhas naturais.
                Compulsando os principais livros que tratam da história do Ceará, resta comprovado o emblemático carisma do bravo bandeirante MANOEL  FRANCISCO DOS SANTOS SOLEDADE. Varava os sertões sob a modalidade semifeudal,ou seja, à ferro e fogo, bramindo o seu facão na abertura  das veredas, e fazendo ecoar  o ensurdecedor tiro do seu bacamarte  boca-de-sino, o que afastava a indiada dos seus caminhos.  Antes de fixar  moradia  em  Apodi, estivera  percorrendo  as terras cearenses da famosa "Serra Grande" no ano de 1730, tendo como objetivo explorar suposta  mina de prata, no  lugar onde hoje está  situada  a  cidade  de Ubajara. Requereu  e  recebeu  do governo da capitania do Ceará  uma  concessão de Carta de Data de sesmaria, expedida  em  08.01.1730, dando-lhe  três  léguas de terras  de  comprimento  por  uma de largura. Desapontado  pela constatação  de que  não existia o tal  filão de prata, abandonou  ditas  terras, que foi  novamente  concedida  em  17.06.1738  ao  Capitão Antonio Gonçalves de Araújo, tido com  fundador  da  cidade  de  Ubajara. Em meados do ano de 1730  noticia-se  que  Manoel  da Soledade  encontrava-se  recolhido preso no Forte de São Pedro, na Bahia, por causar grandes  aborrecimentos  ao Vice-Rei do Brasil  Vasco César.  Só encontrou  a  tão  sonhada  paz  espiritual  quando  fixou  moradia  na  Chapada  do  Apodi, quando  recebeu  sua  concessão  de  Data  de  Sesmaria  a  01.02.1766, onde  já  instalara  seus  currais  de gado  e  efetivara  sua  posse, estabelecendo assim  o  marco  inicial da  civilização no lugar que viria a ser denominado de sítio "soledade".

Por Marcos pinto.
            (Continuação  no  próximo  Domingo).

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