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quarta-feira, 4 de abril de 2012

SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DAS FAMÍLIAS APODIENSES AFRODESCENDENTES (II).

  Nunca  será enfadonha  a  assertiva  e  a  exortação  de  que  a  história  do  cativeiro negro em  Apodi  encontra-se  restrita  aos  poeirentos e  mofados inventários setecentistas e  oitocentistas, e, ainda,  em  alguns  livros de  registro  de  matrículas  de  escravos  existentes  no  arquivo  morto  do Fórum  Judiciário.  Perdeu-se nas incertezas das  narrativas  da  tradição  oral.  São  raros  os  relatos  de  componentes  de  famílias  afrodescendentes  dando  conta  de  maus  tratos  físicos  em  seus  ascendentes.  Para  dar  mais  conotação  histórica  à  indômita  escrava  SABINA, no  livro  de  Registro de óbitos  do  ano  de  1924, do  1º  Cartório  Judiciário  de  Apodi,  consta  o  assento  do  falecimento  da  mesma,com  dados  fornecidos  pelo  seu  filho  Lúcio  Agostinho  da  Silva, informando  que  a  mesmo  veio  à  óbito  a  uma  hora  do dia  18  de  Março  de  1924, devido  a  complicações  cardíacas, cuja  ex-escrava  tinha  o  nome  civil  de  SABINA  CONSTÂNCIA  BELTRÃO, com  72  anos  de  idade, presumíveis, filha  natural  de  INOCÊNCIA  CONSTÂNCIA BELTRÃO,  deixando  os  filhos  LÚCIO  AGOSTINHO  DA  SILVA  e  LUIZ  BELTRÃO, casado com  Águida  de  Tal.  Sabina  teve  ainda  o  filho  GALDINO  FERREIRA  DA  SILVA, que  residia  em  Recife-PE, e que  sentindo-se  muito  doente  em  consequência  de  letal  tuberculose, retornou  para  Apodi, onde  faleceu  a  09  de  Maio  de  1911, aos  43 anos de  idade, deixando  a  viúva  e  cinco  filhos  residindo  em  Recife.  A  prole  de  SABINA  era  composta, também, pelo  Sr. VICENTE  FERREIRA  DA  SILVA, popularmente  conhecido  como  "Vicente  Beltrão", que  nasceu em Apodi  a  16.09.1866, e  foi  batizado  pelo  Pe. Antonio  Dias  da  Cunha  na  Igreja-Matriz  de  Apodi  a  23.09.1866, tendo  como  padrinhos Belarmino, escravo  do  Capitão  Francisco  Ferreira  Pinto (Tio-avô do 2º  deste  nome)  e  Catharina, escrava  de  Domingos  Alves  Ferreira  Pinto.  VICENTE  BELTRÃO  casou  a  01  de  Março  de  1907  com  Joaquina  Maria  da  Conceição, nascida  a  15.04.1871, filha  natural  de GERMANA, escrava  de  Francisco  Ferreira  Lima.  Vicente  e Joaquina  foram  pais  de  Ezequiel  Beltrão, que por sua  vez  foi  pai  de " Manoel  de  Zaquiel",  que  ainda  é  vivo  e  sofre  das  faculdades  mentais, perambulando pelas  ruas  da  cidade.  Como  se  vê, casamento  entre  ex-escravos  e  filhos  de  escravos, o  que  evidencia   um  processo  de  identidade  e  formação  de  casta  social.

Escravos eram comercializados em Pernambuco e
trazidos para terras Potiguares  

    Os  livros  que  abordam  o  processo  de  compra  e  venda  de  escravos no  RN  informam  que  o  abastecimento  tinha  a   procedência  de  dois  centros: Pernambuco  e  Maranhão.  De  Pernambuco  eram  enviados  para  a  região  açucareira  potiguar, sobretudo  a  partir  do  ano  de  1845, quando  a  indústria  açucareira  foi  ativada.  O  número de  cativos  em  Apodi  não  era  muito  expressivo, posto que  a  região  desenvolveu-se  com  a  criação  extensiva  do  gado, o  cultivo  das  vazantes, e  o  comércio  com  a  praça  comercial  de  Aracati-CE, para  onde  eram transportados  o  algodão, couros  bovinos  e  caprinos, e  a  cêra  de  carnaúba.  São  poucas  as informações  censitárias  que  poderiam  servir  para  a  análise  da  população  escrava ou  mesmo  a  posse  de  cativos.  Por  constituir  vasto  domínio  da  extensão  rural, as  famílias  PINTO, MORAIS  e  MARINHO  tinham o  maior  número  de  cativos.  Os  escravos  vinculados  à  família  PINTO  eram  distribuídos  nas  suas  fazendas  situadas  na  margem  da  lagoa, ou  seja, nas  fazendas  "Barra", "Ponta", "Largo", "Estreito"  e  "Córrego".  Assim  é  que  as  famílias  BELARMINO, VALENTIM, CRISTINO (Família Ceará) "CIPRIANO"  e  "BASÍLIO"  tem origem  em  escravos  vinculados  à  família, num  acentuado  processo  de  afeição  e  consideração  recíprocos  que  perdura  até  os  dias  atuais.
    Na  fazenda  "Largo"  tem  origem  a  família  conhecida  como  sendo " FAMÍLIA  DOS  CEARÁ", cujos  documentos  oficiais  revelam  que  da  escrava JOANA  FRANKLINA DE  OLIVEIRA,nascida  em  1851,  pertencente  ao  espólio  do  Capitão  Sebastião  Celino  de  Oliveira  Pinto (Pai  de Claudina  Pinto  e  do  Coronel João  Jázimo  Pinto) nasceu  em  1879  o  ANTONIO  CRISTINO  DE  OLIVEIRA, vulgo  Antonio  Ceará, que  por  sua  vez  é  pai  de  DECA  CEARÁ.  Dado  a  desenvoltura  do  Antonio Ceará   no  trato  com a  terra  e  a  gadaria, logo  conquistou  a  simpatia  do  Coronel  João  Jázimo, que  o  colocou  como  administrador  e  vaqueiro  de  suas  fazendas.  DECA  CEARÁ  casou  com  a  gentil senhorita  Francisca  Valentim de  Oliveira, filha  de  Pedro  Valentim de  Oliveira, ex-escravo, nascido  no  ano  de  1860, e de  Maria  Alexandrina  da  Conceição.  PEDRO  VALENTIM  era  filho  natural  da  escrava  HERCULANA  JANUÁRIA  DO  ESPÍRITO  SANTO, nascida  em  1846, que  por  sua  vez  era  filha  da  escrava  THEREZA  MARIA  DO  E. SANTO,  pertencente  ao  casal  Antonio  da  Costa  Monteiro  e  Ana  Quitéria  do  E. Santo.
      Da  escrava  HERCULANA   tem origem  a  FAMÍLIA  DOS  VALENTIM, pelo  relacionamento  amoroso  da  mesma com  o  abastado  comerciante  JOSÉ  VALENTIM DE  OLIVEIRA.  Herculana  faleceu  no  sítio  "Mirador"  a  05  de Agosto  de  1906, aos  60  anos  de  idade, deixando  os  filhos:  PEDRO  VALENTIM DE  OLIVEIRA (Nascido  em  1860); CLEMENTINA  MARIA  DA  CONCEIÇÃO (Nasceu  em  1878); MANOEL  VALENTIM  DE  OLIVEIRA (Nascido  em  1879); MARIA  MARCELINA DA  CONCEIÇÃO (Nasceu  em  1881) e JOSÉ  VALENTIM  DE  OLIVEIRA (Nasceu  em  1880. Repete o nome do pai). FONTE: Livro  de Óbitos  do  1º Cartório - 1906-1011 - fls. 15/v.  Um  filho de  Pedro  Valentim de  Oliveira, de  nome  CASSIMIRO  VALENTIM  DE  OLIVEIRA (Pai de Ló, Lucas, Boioiô, Sebastiana  de  João de  Toinho, Maria  de  Tomaz  Tito e  outros)  mantinha  estreita  relação  de  amizade  com  o  meu  avô  Aristides  Pinto, de  quem  foi  administrador  e  vaqueiro  das  fazendas  "Quadra", "Pequé"  e  "Canto de  Varas".


Por Marcos Pinto - HISTORIADOR APODIENSE.

2 comentários:

Anônimo disse...

Prezado Antonio,

Meu nome e Elias Pinto, o sobrenome do meu pai era Ferreira Pinto e ele era natural do Apodi. Eu achei muita informacao interessante no seu blog, inclusive a foto de um suposto livro sobre as familias apodienses. Eu gostaria de saber se tal livro existe e como poderia adquirir um.

Muito Obrigado,

Elias

Anônimo disse...

Prezado Antonio,

Antes de tudo, muito obrigado por ter me respondido tao prontamente.
Nao sei aonde o meu pai(Jonas Ferreira Pinto) nasceu exatamente. Sei que ele nasceu no Apodi em 1926. Ele era filho de Raimundo Ferreira Pinto e Francisca Gomes Ferreira Pinto. Nao sei quem eram os pais do meu avo, mas a minha avo, Francisca Gomes Ferreira Pinto era filha de Vicente Gomes Ferreira Pinto (Vicente Xandu) e Maria Belisa da Silva Filha (Marica), meus bisavos maternos.

A Maria Belisa (Marica) era filha do Capitão Francisco Ferreira Pinto e de Maria Belisa da Silva. (Triavós maternos)

A Maria Belisa da Silva era filha de: Amaro Eugênio Peixoto e Germana da Silva Alencar (Tetravós maternos).

O que voce puder acrescentar a esta familia eu ti fico muito grato. Eu, por exemplo, nao nao tenho a
ascendencia do meu avo. Apenas sei que era primo da minha avo e que casamento entre primos era muito comum na familia.

Um abraco,
Elias