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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

FAMÍLIAS APODIENSES COM ASCENDÊNCIA (ORIGEM) INDÍGENA.

  As  publicações  que  abordam  a  temática  do  entrelaçamento  étnico-cultural  do  elemento  branco  com  indígenas, nos  remonta  a  uma  assertiva  propalada  por  pessoas  de  idades  longevas, que  de  forma  peremptória  e  incisiva  sentenciam: "A  minha  avó  foi  pega  à  casco  de cavalo  nas  brenhas  das  matas", ou  então -  "A  minha  avó  foi  pega  nas  matas  à  dente  de  cachorros". Na maioria dos casos, restam  configurados  como  simples  lendas  familiares.  Instigados  à  revelarem  os nomes  de  suas  avós  e época em  que foram  preadas, apelam  para  a  arguição  de  falta  de  memória,esquecimento, como  se  temessem  que  o  interlocutor  passe  para  as  páginas  de  um  livro.  Denotam  uma  estranha  e  voluntariosa  omissão, como  se  o  fato causasse  vergonha  à  história  familiar.  No livro  que  trata  sobre  a  história da  família  DIÓGENES, consta  que  o  patriarca  DOMINGOS   PAES  BOTÃO  NETO vivera  maritalmente   com  uma  índia  tapuia  do  vale  jaguaribano, de  nome  NARCISA  DIAS.  Em  Apodi,  ouví  da  Professora  Célia  Melo,natural  do  sítio  "Sororoca", a  afirmativa  de  que  a  bisavó  dela  era  uma  índia  e que  fora  "pega  à  casco  de  cavalo".  Sugerí  à  mesma,  que  envidasse  pela  pesquisa  meticulosa,profunda, intensa, para  ver  se  chegava  ao "fio da  meada", com  a possível  elucidação  do  nome  dessa  sua  ancestral  indígena.


MORTE DO PADRE FILIPE BOUREL
   No  contexto  da  área  territorial  do  Apodi, o  processo  de  civilização  do gentio  indígena  tapuias  paiacus, da  nação  Tarairiús, só  foi  possível  com  a  instalação  da  Missão  Jesuíta  na  margem  direita  da  lagoa, em  10  de  Janeiro  de  1700 pelos  intrépidos  e  abnegados  e  virtuosos  padres  PHILIPE  BOUREL  e  JOÃO  GUINCEL, no  local  que  ficou  conhecido  como  "Córrego  da  Missão", que  passou  para  os  documentos  oficiais  como  sendo  a  MISSÃO  JESUÍTA  DA  ALDEIA  DO  LAGO  PODI (Vide livro "HISTÓRIA DA COMPANHIA  DE  JESUS  NO  BRASIL". Tomo  V - Autor: Pe. SERAFIM  LEITE). Tem-se  notícia  que  alguns  índios  da  Aldeia  do  Apodi  foram  batizados  com  nomes  de  padres  jesuítas  que  catequisaram  neste  rincão, citando-se  como  exemplo  o  índio  Bonifácio  Teixeira.  O  capítulo  da  história  indígena  em  Apodi  precisa  ser  estudado  amiúde,sem canseiras,com  abnegação  nem  data  pré-fixada  para conclusão.  Ademais, temos  muitos  conterrâneos  com  curso  superior  em História, que  poderiam  envidar  por essa  temática, passando  a "garimpar"  em  vetustos  documentos  que  tratam  deste  tema, existentes  no arquivo  do  Instituto  Histórico  e  Geográfico  do  Rio  Grande  do  Norte - IHGRN.
   Ainda  não  nos  foi  possível  precisar  a  data  do  primeiro  contato  da  família  NOGUEIRA, fundadora  e  colonizadora  do  Apodi  no  ano  de  1680,  com  o gentio  indígena.  Com  certeza  não  foi  um  contato  amistoso, até  porque  não  houve  a  intermediação  de  padres  no  processo  de  alinhamento  étnico-cultural. A  prova  inconteste  do  atrito  permanente  dos  NOGUEIRAS  com  os  tapuias  paiacus  reside  no  trágico  embate  ocorrido  nas  margens  da  lagoa  do  "Apanha-Peixes, no  dia  09  de Agosto  de  1688  em  que  tombaram  mortos  os  primos  João  Nogueira(O  Moço)  e  Balthazar  Nogueira, tendo  os  NOGUEIRAS  batido em retirada, vergonhosamente, deixando  os  irmãos  mortos  e  abandonados  no  campo  de  batalha.  Como  os  tapuias  paiacus  eram  canibais, é  possível  que  tenham  se  alimentado  dos  corpos  destes  bravos  mártires, já  que  a  prática  era  tida  como  um  ritual  de  sucesso  da  luta  travada. João  Nogueira (O  Moço) era  filho  de  Manoel  Nogueira, e Baltazar  era  filho de  João  Nogueira ( O Velho, irmão de  Manoel  Nogueira).


NONATO MOTA
 O  incansável  e  abnegado    historiador  Apodiense  NONATO  MOTA (Raimundo Nonato Ferreira da Mota - 30.06.1866/04.06.1936)  nos  deixou  um  vasto  legado  histórico, fruto  de  acurada  pesquisa  nos  documentos  cartoriais  de  Apodi  e  Portalegre, cujas  anotações  foram  publicadas  no  Boletim  Bibliográfico  nº 63, da Coleção  Mossoroense, sob  o  título "NOTAS  SOBRE  A  RIBEIRA  DO  APODI" - Coleção Mossoroense, Série  "B", nº 606, ano  1989). O  que me  causa  um  certo  desapontamento  é  o  fato  de  que  as  famílias  Apodienses  com  origem  mameluca  não  descendem de  um  indígena  do  Apodi, e sim,  de  Alagoas.  Deu-se  pelo  casamento  do português  ANTONIO DA  MOTA  RIBEIRO,nascido  em  Portugal  a  13.06.1710  e  que  casou  em  Apodi  com  a  idade  de  29  anos, no  ano  de  1739  com  JOSEPHA  FERREIRA  DE  ARAÚJO, filha  do  português  Carlos  Vidal  Borromeu  e da  índia  ISABEL  DE  ARAÚJO, natural  de  Alagoas.  Josepha  faleceu  em sua  fazenda  "Santa  Cruz"(Apodi)  a  17.10.1792 (Vide  inventário  no arquivo morto  do  Fórum  Des. Newton  Pinto). Carlos  Borromeu  casou  em  segunda  núpcias, por  viuvez, com  Margarida  de  Freitas, filha  do  fundador  Manoel  Nogueira  Ferreira. Abatido  pela  morte  de  sua esposa, Antonio da  Mota  Ribeiro  faleceu  a  19  de  Agosto  de  1796, deixando  os  seguintes  filhos, netos  da  índia  Isabel de Araújo:

F.01-JOSÉ DA MOTA FERREIRA.
F.02-TEREZA  MARIA DE JESUS -  Casou  com  o  português Manoel  Antonio  da  Costa, que  por ser  alvo  e  de  olhos azuis  diziam  que  ele  se  parecia  com  um  inglês, nascendo  daí  o  apelido  de  Manoel  Inglês.

Este  casal  é tronco  da  família  dos  "INGLÊS"  do  sítio  "Ponta  D'água";
F.03- LOURENÇA  FERREIRA  DA  MOTA - Casou  com  o  português  SIMÃO  DO  RÊGO  LEITE,  e  foram  pais  de: 
N.01- MARIA  DA CONCEIÇÃO  LEITE - Casou  com  o português,(nascido  em Lisboa) LUÍS DA COSTA  MENDES - Este  casal  é  tronco  da  família  FERREIRA  LEITE, de quem descende  Mané  Leite,pai  de  Sêo  Vicen te  Leite (Pai  de Toinho  Leite); e os abastados Apodienses (irmãos) e comerciantes  na  praça  de  Mossoró  Coronel  JOÃO  FERREIRA  LEITE, casado  com  Cristina  Veras, e  SALUSTIANO  FERREIRA  LEITE.(Saluleite). F.04- DAMIANA  ANTONIA  DA  MOTA -  Casou  com  o  sesmeiro  CRISTÓVÃO  DE  SOUZA, filho  de  Estevão  de Pereira de Souza.F.05- MARIA TEREZA DA MOTA - Casou com FRANCISCO MARÇAL DE BRITO, fundador de Pau dos Ferros-RN. F.06- COSMA  MARIA -  Casou  com  ANTONIO  DA  ROSA  MACHADO.
F.07- INÊS  MOTA -  Casou  com  JOSÉ  LUÍS  VIEIRA  DE  VERAS.
F.08- FRANCISCO  FERREIRA  DA  MOTA.
F.09- Capitão  JOSÉ  FERREIRA DA  MOTA - Casou  com FLORÊNCIA  MARIA  DE  JESUS, e  foram   pais  de:
N.01- ANTONIA  SENHORINHA DE  JESUS -  Casou  com o  Capitão  MANOEL  FERNANDES  PIMENTA;
 N.02- Padre  JOSÉ  FERREIRA  DA  MOTA.

(FONTE: Vide  livro "VELHOS  INVENTÁRIOS  DO  OESTE  POTIGUAR" pág. 18  a  21 - Marcos  Antonio  Filgueira - COLEÇÃO  MOSSOROENSE - Série  C - Volume  740 ´Ano  1992).
  O  Capitão  JOSÉ  FERREIRA  DA  MOTA  e  seu  genro  Manoel  Fernandes  Pimenta  participaram  do  movimento  da  REVOLUÇÃO  PERNAMBUCANA  no  RN, em  1817, não  tendo  sido  presos  porque  reconheceram  o  regime  monarquista  português.  Como  se  depreende  do  texto, as  famílias  MOTA, SOUZA, BRITO, MACHADO, e o ramo que  descende  do  Capitão  Manoel  Fernandes  Pimenta,  tem  sangue  indígena.


Marcos pinto - HISTORIADOR APODIENSE.

5 comentários:

Concy disse...

Adorei o seu blog, principalmente quando voce publica informações sobre as familias apodienses. Voce enriquece o seu "caderno" e se torna fonte de informação para quem gosta de genealogia.

Delselderio_on disse...

Esse é mais um motivo para Apodi preservar a Cultura Oeste Potiguar que, com certeza, tambem tem raiz Holandeza...
http://troianos-info.blogspot.com A Droga da Democracia, A Democracia da Droga! ATUALIZADO e com fotos

Delselderio_on disse...

Apóio http://troianos-info.blogspot.com A Droga da Democracia, A Democracia da Droga! ATUALIZADO e com fotos

Herbert Mota disse...

Como descendente do português Antonio da Mota Ribeiro, deixo aqui meus parabéns para o abnegado historiador apodiense, Marcos Pinto, pelo trabalho de pesquisa que tem levado a efeito. Obrigado e sucesso.
Herbert Mota

anom. disse...

Tá um pouco equivocado, a influência indigena para a formação dessas famílias no brasil foi mínima que logo se dissolveu após algumas gerações, São familias predominantemente de origem portuguesa