É inexpugnável a necessidade que os pesquisadores/historiadores devem ter, de elencarem os fatos históricos sempre arrimados na verdade, isento do descabido temor de ferir suscetibilidades de pessoas e/ ou famílias que protagonizaram os fatos, e que foram/são objeto de conteúdo de documentos oficiais irrefutáveis. A rebuscada leitura, de tudo o que já foi escrito sobre a história do cangaço na região Oeste potiguar, nos conduz à contundente e decepcionante certeza de que há muitas lacunas na temática. Cotejando-se os fatos históricos do cangaceirismo nestes rincões,ainda presentes na tradição oral, com os documentos oficiais ainda existentes nos arquivos-mortos cartoriais (Inquéritos/Processos-crimes), depreende-se de que os historiadores, sem exceção nenhuma, optaram por omitirem a verdade histórica, como uma forma de esconderem o libelo, o dolo, a culpa de pessoas que, por um vínculo amistoso ou formal qualquer, suplantou suas hombridades morais. Foram jagunços/ cangaceiros que protagonizaram atos belicosos,sádicos, psicopatológicos. Os relatos feitos por anciões idôneos, que viveram a contemporaneidade das décadas de 1920 e 1930, tiveram suas versões desvirtuadas, quando passadas para as páginas dos livros e dos jornais. Dura e triste constatação. Um desserviço à história e à memória dos grandes homens.

Felipe Guerra - o estudioso das secas e Desembargador (Cunhado de Tilon Gurgel) teve a desfaçatez de afirmar, em seu livro intitulado "AINDA O NORDESTE", pág. 79, publicado no ano de 1927, que "No Rio Grande do Norte não existia cangaceirismo", quando já era pública e notória a atuação do bando de jagunços comandados por Décio Holanda, com o ostensivo apoio do seu sogro Tilon Gurgel. Em Dezembro de 1925 o Capitão Jacinto Tavares, que se encontrava como Delegado Especial em Apodi desde o mês de Abril, apreendeu dois rifles de Tilon, portados por dois jagunços do mesmo, que tinham se dirigido ao Apodi em diligência, até à presença do Juiz de Direito, que por não se achar na cidade, fez com que os jagunços se encaminhassem, inadvertidamente, à presença do Capitão Jacinto. Vejamos a íntegra do requerimento do Tilon Gurgel, dirigido ao então Diretor do Departamento de Segurança Pública do RN, Dr. Adauto da Câmara,em 18.09.1928:
"Tilon Gurgel, criador,comerciante,agricultor em Brejo do Apody prendeu em dias do mês de Dezembro de 1925 um indivíduo de nome Manoel Delfino porque tentava matar sua própria mulher, e escoltado mandou o referido indivíduo para a cidade do Apody a fim de até ser o mesmo apresentado as respectivas autoridades policiais, que por segurança das pessoas que conduziram o criminoso forneceu dois rifles de sua propriedade. Acontece porém que o Capitão Jacinto Tavares
então Delegado Especial do Apody ao receber o criminoso apreendeu os dois rifles e estes não mais foram entregues ao suplicante. Nestes termos atenderiam que as mesmas armas são para a defesa do suplicante residente em um sítio distante dos meios populosos onde há necessidade de tal recurso, para a segurança individual e da propriedade. Requer a V. Excia a entrega das duas armas acima referidas as quais se encontram ainda em poder da polícia.
P. Deferimento.
Natal, 18 de Setembro de 1928.
O Diretor do Departamento de Segurança Pública exarou o seguinte despacho: "Informe o Capitão Jacinto Tavares".
Marcos Pinto - HISTORIADOR APODIENSE.
Um comentário:
Marcos Pinto é inimigo mortal de Tilon, escreve para para atacar a família Gurgel e por tabela ataca Felipe Guerra que foi casado com a irmã de Tilon.
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Esse Marcos é inteligente e criativo também.
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