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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

APODI E APODIENSES NA HISTÓRIA DA ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA MOSSOROENSE.


   A historiografia  potiguar,  atinente  ao   pujante  processo  que  culminou  com  a  abolição  da  escravidão  negra  em terras  mossoroenses,  aponta  para  o  relevantes  papéis   desempenhados  por  Apodienses  radicados  naquelas  plagas.  Nesta  saga  de sangue, suor  e  lágrimas  destacam-se  os  Srs.  CLEMENTINO  DE  GÓIS  NOGUEIRA, opulento  e respeitado  comerciante, e  EUSÉBIO  BELTRÃO, dono  do  Iate  denominado  de  "APODI".  Quando  os  notáveis  abolicionistas  mossoroenses  começaram  a  campanha  em  prol  da  libertação  negra, numa  trajetória  de  lutas  e  de  glórias, que  começou  no  final  de  Janeiro  de  1883  e  terminou  na  heróica data  de  30  de  Setembro  do  mesmo  ano, Eusébio  Beltrão  fazia  o  trajeto  marítimo  Porto  Franco (imediações  da  cidade  de Grossos-RN)  ao  porto  da  cidade  de  Recife-PE, conduzindo  mercadorias  compradas  por  comerciantes  da  praça  de  Mossoró.
Abolicionista do Clube do Cupim
    EUSÉBIO  era  o  mestre  no  intercâmbio  de  idéias  do  CLUBE  DO CUPIM,com  os  abolicionistas  mossoroenses. Este  Clube  foi  criado  por  abolicionistas  Recifenses,  para  angariação  de  fundos  que  eram  aplicados  na  compra  de  alforrias  de  escravos, bem  como  de  proporcionar  acolhida  aos  que  vinham fugidos  e  perseguidos  pelos temidos  e  famosos  Capitães-do-Mato. 
    Na  busca  pela  consolidação  da  luta  pela  libertação  negra  em  Mossoró, criaram  o  CLUBE  DOS  ESPARTACUS, com  a  notável  contribuição  dos  referidos  Apodienses.  O  Presidente  do  CLUBE  DO  CUPIM  era  o  rico  comerciante  pernambucano  JOSÉ  MARIA  CARNEIRO  DA  CUNHA, primo  legítimo  do  pai  de  Eusébio -  o  Prof. JOAQUIM  MANOEL  CARNEIRO  DA CUNHA  BLETRÃO, que  foi  o segundo  Professor  de  primeiras  letras  na  então  Vila  do  Apodi, em  1841, e que  foi  o    proprietário  do  primeiro  imóvel  residencial  totalmente  construído  em  alvenaria  em  Apodi, que  é  aquele  casarão  senhorial  onde  durante  muitos  anos  residiu  a  doceira  e  boleira  mais famosa  do  Apodi, dona  COTÓ,  tia  paterna  do  saudoso  Prof. Raimundo  de  Tião  Lúcio (Raimundo  Pereira).  Na  sua  árdua  faina, EUSÉBIO  BELTRÃO  conduzia  escravos  fugitivos  do  Recife, escondidos  no  porão  do  Iate  "APODI", remetidos   por
João  Ramos, João  Klapp  e  Dr. José  Maria  Carneiro  da  Cunha, Diretores  do  celebrado  "CLUBE  DO  CUPIM".  O  Eusébio  conduzia  cartas  dirigidas  aos  componentes  do  CLUBE  DOS  ESPARTACUS.   Para  burlar   a  vigilância  dos  senhores  dos  escravos, escreviam  que  seguiam  tantas  "levas de  abacaxis".
Casarão onde residiu a doceira Dna. Cotó

    O  contexto  em que  encontramos  o  Sr. CLEMENTINO  DE  GÓIS  NOGUEIRA  desempenhando  a  honrosa  missão de  acolhida  e  proteção  aos  escravos  fugitivos, encontra-se  nas  páginas  do  livro  "SUBSÍDIOS  PARA  A  HISTÓRIA  DA  ABOLIÇÃO  DO CATIVEIRO  NO  RIO  GRANDE  DO  NORTE". Autor: João  Batista  Galvão - Coleção  Mossoroense - Vol.  CCXI - Ano  1982), senão  vejamos:
 "Contava  ROMUALDO  GALVÃO  que  certa  vez  fugira  um  cativo  da  Província  de  Pernambuco  e se  homiziara  sob  a bandeira  da  "LIBERTADORA  MOSSOROENSE".  Com  poucos  dias, chega  um  Senhor  de  Engenho  pedindo  o  escravo  de  sua  propriedade.  Romualdo  quer  adquirí-lo  para  alforriar  e  propõe  a  importância de  Cr$  2.00  atuais  e  a  resposta  foi  esta: -  O  senhor  não  tem  dinheiro  que  pague  uma  surra  que  desejo  dar  em  minha  terra, nesse  negro!".  Enfim, conduz  o escravo garantido  por  lei.

   Romualdo  Galvão, Romão  Filgueira e  Durval  Fiúza  comissionam  Rafael  Mossoroense  e  mais  outros  ex-escravos  mascarados  e  mandam  retomar  o  negro,  após  a  divisa  do  município  e  em  seguida  dar  no  senhor  de  escravos  umas  pancadas,  e  esconder  o  cativo  na  propriedade  denominada  de  "Garrafa", no  Apodi,  do  tio  de  Romualdo, de  nome Clementino  de  Góis  Nogueira,  já  referido". 
Desse  dia  em  diante,  o  lugar  mais  seguro  e  ermo  para  esconder  os  escravos  fugidos   passou a ser   o  sítio  "Garrafa", onde  os  mesmos  eram  acolhidos  com  a  recomendação  de  que  fosse  divulgado  que  eram  de  propriedade  dele  Clementino.  Este  bravo  Apodiense  tinha  outra  minudência  histórica:  Era  amigo  íntimo  de  JESUÍNO  BRILHANTE, o famoso  "Cangaceiro  Romântico", a  quem  acolhia/escondia  em  seu  suntuoso  casarão  com  sobrado, quando  este vinha  a  negócios  em  Mossoró.  CLEMENTINO  era  descendente  direto  de  Antonia  de  Freitas  Nogueira, fundadora  do  Apodi. Era, também, irmão  de  Bernardino de  Góis  Nogueira, bisavô  materno  do  Prof.  ROBSON  LOPES,  de  saudosa  e  veneranda  memória.

Marcos Pinto - HISTORIADOR APODIENSE.

4 comentários:

Marcos pinto disse...

Em 1883, com o auxílio de amigos, João Ramos já havia estabelecido uma rota segura para os escravos fugidos, enviando-os para Mossoró, no Rio Grande do Norte, de onde eram transferidos para Aracati e Fortaleza, no Ceará. (FONTE: FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO).

Marcos pinto disse...

O Clube do Cupim passou depois a ter vinte sócios efetivos. Cada sócio tinha sob suas ordens um capitão, este um sub-capitão que, por sua vez, comandava vinte auxiliares. Todos tinham que adotar um “nome de guerra” utilizando os nomes de localidades brasileiras. Dessa maneira, sempre com vinte sócios efetivos, o Clube do Cupim chegou a contar com mais de trezentos auxiliares.(FONTE: FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO).

Marcos pinto disse...

No CLUBE DO CUPIM, Todo o trabalho era facilitado porque possuíam adeptos e simpatizantes em todo lugar. Havia uma grande quantidade de “panelas”, como eram conhecidos os esconderijos dos escravos que a sociedade ajudava a libertar.

Suas atividades eram cada vez mais intensas. Os escravos fugiam dos engenhos aos bandos, deixando alguns quase vazios.

O termo “cupim” passou a ser usado até pelos abolicionistas do Rio de Janeiro que pretendiam “libertar os centros populosos e fazer roer o cupim no interior”.

Aqui no Recife, os carregamentos e envios de escravos clandestinos para outros locais, passaram a ser mais numerosos e freqüentes. Os escravos eram enviados também para Camocim, Natal, Macau, Macaíba, Belém, Manaus, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e até Montevidéu, no Uruguai.

A última façanha do Clube do Cupim foi o embarque de 119 escravos, realizado no dia 23 de abril de 1888. Desceram à noite, do Poço da Panela, da casa de José Mariano em uma canoa de capim até a Capunga, sendo depois rebocados por dois botes que fundearam em frente a casa de banhos, passando daí para o barco Flor de Liz e, na manhã seguinte, para um rebocador que os levou para a liberdade. No dia 13 de maio, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea.(FONTE: FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO).

Marcos pinto disse...

Em junho de 1885, o Recife preparou-se para receber Joaquim Nabuco. O Clube do Cupim, apesar da sua discrição colocou um anúncio no Jornal do Recife(dias 14 e 16):

Clube do Cupim: ‘‘A diretoria deste patriótico clube, convida seus numerosos consócios e a todos os homens de cor, que quiserem acompanhar ao Dr. Joaquim Nabuco no dia de sua chegada, a comparecerem no Largo do Arsenal da Marinha, a seis e trinta da manhã”.

Foram realizadas, no total, 21 sessões na sede do Clube, até que no dia 1º de novembro de 1885, resolveram dissolvê-lo por causa das perseguições. Não tinham mais um local fixo para suas reuniões, porém os cupins, como eram conhecidos os abolicionistas, continuavam a atuar clandestinamente.(FONTE:FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO).