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terça-feira, 8 de novembro de 2011

SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DA PARÓQUIA DE APODI (V) - O ANTIGO CRUZEIRO DA IGREJA-MATRIZ.

 É  profundamente  pungente   a  constatação  de  que  as  autoridades  constituídas  do  município  de  Apodi   sempre foram  omissas  quanto  à   necessidade  da  defesa  e  da   preservação  dos  monumentos  e  imóveis  que  fizeram  a  história  destas belas  plagas  da  região  oeste  potiguar.  Só no  famoso  e  antigo  "QUADRO  DA  RUA"  foram  demolidos  04  imóveis  históricos  pela  fúria  da  especulação  imobiliária, destacando-se   a primitiva  residência  do  português  SIMÃO  DO  RÊGO  LEITE,  que  casou  em  Apodi  com  Lourença  Ferreira  da  Mota, filha  do  português  Antonio da  Mota  Ribeiro.  Simão  e  Antonio  são  troncos iniciais  das  honradas  famílias  LEITE  e  MOTA,  disseminados  na  Várzea  do  Apodi.  O  casarão  senhorial  de  Simão (Falecido  a  09.10.1823)  era  aquele  onde  durante  muitos  anos  funcionou  o  famoso  "BAR  SATÉLITE", ponto  de  encontro  da  elite  Apodiense  nas  décadas  de  60  e  70 (1960/1970), e que  ultimamente  vinha  sendo  ocupado  pelo  comerciante  Erivan  Marinho, na  rua  São  João  Batista. O  antigo  Cruzeiro-Mór  da  veneranda  Igreja-Matriz  de  São  João  Batista  e  N. Sra  da  Conceição  era  um  dos  mais  belos  monumentos  arquitetônicos  da  cidade do  Apodi. 
Segundo reza a tradição oral, este monumental Cruzeiro foi edificado por volta do ano de 1856,como pagamento de uma promessa feita pelo povo da pequena Vila,em preito de fé e agradecimento à DEUS e aos padroeiros da paróquia,pelo fato da população não ter sido dizimada pela virulenta doença denominada de "Cólera Morbus". Os recursos para sua construção foram angariados pelo Padre FAUSTINO GOMES DE OLIVEIRA, que juntou recursos econômicos próprios para que a obra fosse concretizada,porém não alcançou a conclusão da construção do Cruzeiro,vindo à falecer no dia 05 de Fevereiro de 1856. Foi sucedido pelo seu parente o Padre FLORÊNCIO GOMES DE OLIVEIRA,que dirigiu a paróquia de Apodi no período Março de 1856 a Dezembro de 1857,tendo dado continuidade à construção e conclusão do monumental Cruzeiro. O Padre FAUSTINO foi o Vigário que mais tempo dirigiu os destinos da paróquia de Apody, durante o período de 1813 à 05.02.1856.
Os habitantes da pacata Vila eram sepultados ao redor desse Cruzeiro. Os que compunham as famílias tradicionais e abastadas da cidade eram sepultados dentro da Igreja-Matriz. O Padre Faustino está sepultado dentro da Igreja. Este monumento símbolo de fé cristã foi demolido de forma insana e descabida no ano de 1964,tendo sido recolhidos grande quantidade de restos mortais (ossos)de primitivos habitantes, e guardados em cerca de 12 latas(vazias) de querosene. Segundo Cabôclo de Manú (genitor da Prefeita Gorete)que dirigiu os trabalhos de demolição do Cruzeiro,as latas contendo os ossos
foram encaminhados para a Capela do sítio "Soledade", de onde deram destino ignorado.Foi um grande ato de desrespeito para com os primeiros habitantes de Apodi. Caberia ao Sr. Vigário da Paróquia Amílcar Silveira solicitar ao Sr. Prefeito Izauro Camilo que mandasse construir um túmulo onde seriam guardados os restos mortais dos antigos habitantes,como um preito de respeito e gratidão. Triste fato que macula a bonita história do povo e da cidade de Apodi.



Por Marcos Pinto.

Um comentário:

Simão Pedro disse...

O Padre Faustino, é meu Hexavô, seu Filho Emidio Genuino de Oliveira, saindo de Apodi, veio residir em São Benedito - Ceará e depois transferiu-se para o Piauí, indo morar em União e depois fixando residência na cidade de Campo Maior.